Exclusiva de Lauro Jardim aponta atuação direta de Guido Mantega como lobista do Master
A primeira manifestação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a crise envolvendo o Banco Master marcou um divisor de águas no caso. A partir dela, uma sequência de revelações jornalísticas passou a expor fatos de bastidores até então desconhecidos da opinião pública.
Na sexta-feira, 23, Lula se posicionou pela primeira vez sobre o episódio, criticando duramente a situação envolvendo o sistema bancário e afirmando que instituições financeiras teriam de arcar com um rombo estimado em R$ 40 bilhões. Embora sem citar nominalmente Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a declaração foi interpretada como um recado direto.
Foi somente após essa fala de Lula que vieram a público informações sensíveis sobre a atuação política nos bastidores do caso.
Primeiro, Mantega e o salário milionário
A primeira revelação do Metrópoles, que expôs que Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff, atuava como consultor e lobista do Banco Master, recebendo cerca de R$ 1 milhão por mês.
Segundo a apuração, Mantega trabalhava para viabilizar a venda do banco ao BRB e para evitar uma intervenção do Banco Central, usando seu trânsito político acumulado ao longo de anos no comando da política econômica do país.
Agora, o encontro com Lula
Neste sábado, 24, uma nova informação elevou o caso a outro patamar. Em coluna publicada em O Globo, o jornalista Lauro Jardim revelou que Daniel Vorcaro já havia se reunido com o presidente Lula, em um encontro articulado diretamente por Guido Mantega.
De acordo com Lauro Jardim, Mantega não apenas assessorava Vorcaro, como conseguiu a audiência com o presidente da República, ao mesmo tempo em que fazia lobby no Banco Central em favor do Banco Master.
Até o momento, o Palácio do Planalto não comentou o teor do encontro, nem explicou o papel de Guido Mantega nas articulações relatadas. Daniel Vorcaro e Mantega também não se manifestaram publicamente.
O caso segue em aberto e deve gerar novos desdobramentos, ampliando a pressão por transparência, esclarecimentos oficiais e eventual apuração institucional sobre um dos episódios mais sensíveis envolvendo governo, sistema financeiro e bastidores do poder.