Homenagem a Lula escancara desconexão da Câmara com realidade do país
A decisão da Câmara Municipal de Campo Grande de conceder o título de “Visitante Ilustre” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode ser tratada como um gesto protocolar ou mera gentileza institucional.
O painel foi direto: 21 vereadores votaram a favor, apenas 4 foram contra.
Mas o que está em jogo vai muito além de uma homenagem simbólica.
Ao apertar o botão “sim”, esses 21 parlamentares não apenas reconheceram a visita de um chefe de Estado, eles assumiram um posicionamento político claro, em um dos momentos mais delicados do país nos últimos anos.
O Brasil de hoje não é um cenário neutro. É um país sob pressão econômica, com caminhoneiros ameaçando paralisações diante da alta do diesel. Um país onde o custo de vida segue pesando no bolso da população, e com perspectiva de piora: após medidas anunciadas pelo governo, a conta de luz pode subir até 8% em 2026, ampliando ainda mais o impacto sobre famílias e empresas.
Ao mesmo tempo, o setor público acumula sinais preocupantes. As estatais federais fecharam 2025 com um déficit de R$ 6,3 bilhões, um dos maiores da história recente, um rombo que reacende o debate sobre gestão, responsabilidade fiscal e uso político dessas estruturas.
E não para por aí.
O país também acompanha o avanço de denúncias graves, como o escândalo envolvendo fraudes contra aposentados do INSS, atingindo diretamente uma população vulnerável. As investigações ampliam o desgaste político de Lula, com seu filho Lulinha no “olho do furacão”.
No campo da gestão, críticas se acumulam sobre gastos do governo, incluindo despesas com viagens e uso de cartão corporativo pelo presidente e pela primeira-dama Rosângela Lula da Silva, frequentemente associadas a padrões elevados de custo.
Há ainda turbulências institucionais, como a crise no IBGE, que colocou em xeque a credibilidade de dados oficiais, um tema sensível para qualquer democracia.
E, no campo das relações, surgem questionamentos adicionais: o presidente recebeu em diferentes ocasiões o agora ex-banqueiro Daniel Vorcaro, posteriormente ligado a investigações que apontam para a maior fraude financeira já registradas no país.
Diante desse cenário, a concessão de uma honraria levanta uma questão inevitável:
isso é diplomacia ou alinhamento político?
Chamar de gesto republicano soa conveniente. Mas a leitura mais realista é outra: ao votar favoravelmente, a maioria da Câmara de Campo Grande sinalizou que, apesar de todos esses fatores, crise econômica, rombo fiscal, aumento de tarifas e denúncias, considera aceitável prestar homenagem ao chefe do Executivo federal.
Na prática, o recado é claro: “está tudo bem”.
Por outro lado, os quatro votos contrários, André Salineiro, Ana Portela, Herculano Borges e Rafael Tavares. destoam desse movimento e representam, ao menos neste episódio, um contraponto em meio à maioria.
A decisão da Câmara pode até cumprir um rito formal. Mas politicamente, ela diz muito.
Diz sobre prioridades.
Diz sobre leitura de cenário.
E, principalmente, diz sobre de que lado cada vereador escolheu estar.
Em um país que enfrenta dificuldades reais, com impacto direto no bolso do cidadão, não se trata apenas de uma homenagem.
Para muitos, foi uma escolha equivocada.
Uma bola fora, com efeitos que vão além do plenário.
Votos contrários (NÃO)
André Salineiro (PL)
Ana Portela (PL)
Herculano Borges (Republicanos)
Rafael Tavares (PL)
Beto Avelar (PP)
Carlão (PSB)
Clodoilson Pires (Podemos)
Dr. Jamal (MDB)
Dr Victor Rocha (PSDB)
Fábio Rocha (União Brasil)
Flávio Cabo Almi (PSDB)
Jean Ferreira (PT) (Autor)
Júnior Coringa (MDB)
Landmark (PT) (Autor)
Leinha (Avante)
Luiza Ribeiro (PT)
Maicon Nogueira (PP)
Marquinhos Trad (PDT)
Otávio Trad (PSD)
Prof. Juari (PSDB)
Prof. Riverton (PP)
Ronilço Guerreiro (Podemos)
Silvio Pitu (PSDB)
Vet. Francisco (União Brasil)
Wilson Lands (Avante)
Ausentes:
Delei Pinheiro (PP)
Dr. Lívio (União Brasil)
Neto Santos (Republicanos)
Presidente:
Papy (PSDB) (Presidente não vota)