Mesmo com resistência pública do governador, articulação segue nos bastidores e tem confirmação de fontes ouvidas pelo O Contribuinte
Antes de ser internado para tratar uma broncopneumonia bacteriana bilateral, o ex-presidente Jair Bolsonaro intensificou articulações políticas com foco nas eleições presidenciais de 2026. De acordo com relatos obtidos pelo O Contribuinte, Bolsonaro pediu a aliados no Congresso Nacional que trabalhassem para convencer o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a integrar como vice a eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto.
Os recados foram transmitidos a parlamentares e integrantes da oposição durante visitas recebidas pelo ex-presidente na Penitenciária da Papuda, entre o fim de fevereiro e o início de março. A movimentação, segundo interlocutores, fazia parte de uma estratégia mais ampla de consolidação de uma chapa competitiva no campo da direita.
O O Contribuinte apurou, com exclusividade com três diferentes fontes nacionais, todas com trânsito entre lideranças políticas em Brasília. As fontes confirmaram que é, de fato, desejo pessoal de Jair Bolsonaro que Romeu Zema ocupe a posição de vice em uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Peso de Minas na estratégia
Na avaliação do ex-presidente, Zema não apenas se encaixa no projeto político do grupo, como também desempenharia papel decisivo em Minas Gerais — segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 16,5 milhões de eleitores. Historicamente, o desempenho no estado é considerado determinante para o resultado final das eleições presidenciais.
Levantamento do instituto Real Time Big Data aponta que, em um cenário de disputa direta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente, com 35% das intenções de voto em Minas, contra 31% de Flávio Bolsonaro e 15% de Romeu Zema.
Nos bastidores, a leitura de aliados bolsonaristas é de que, sem a candidatura própria de Zema, parte significativa desse eleitorado poderia migrar para Flávio, fortalecendo o projeto eleitoral do grupo.
Resistência pública de Zema
Apesar das articulações, Romeu Zema tem mantido publicamente o discurso de que seguirá como pré-candidato à Presidência da República. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (16) à EPTV Sul de Minas, em Varginha (MG), o governador afirmou que não houve convite formal por parte da família Bolsonaro.
“Houve veiculação desse ponto na mídia, mas nunca houve e provavelmente não haverá nenhum convite formal a mim ou ao Partido Novo, porque o meu posicionamento é que eu levarei a minha pré-campanha e campanha até o final. Eu sou um pré-candidato diferente dos demais, eu não tenho carreira política e o Brasil precisa ter sua política oxigenada”, declarou.
Jogo em aberto
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que, apesar da negativa pública, o cenário ainda está em aberto e pode evoluir conforme o avanço do calendário eleitoral e das negociações partidárias.
A eventual composição entre Flávio Bolsonaro e Romeu Zema é vista por aliados como uma tentativa de unificar o campo da direita em torno de um projeto com maior capilaridade nacional — especialmente em estados estratégicos como Minas Gerais.
Enquanto isso, a movimentação reforça que, mesmo fora do cargo e enfrentando questões de saúde, Jair Bolsonaro segue atuando diretamente na construção do tabuleiro político para 2026.