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BOMBA: Candidato do PT em 2026 anuncia voto em Flávio Bolsonaro e diz que esquerda vive em “mundo paralelo”

Luso de Queiroz afirma que setores da esquerda se afastaram dos trabalhadores e denuncia supostas irregularidades na distribuição de recursos eleitorais dentro do PT

Uma declaração chamou a atenção durante a edição desta sexta-feira (9) do programa Capital Meio-Dia, da Capital 95,9 FM, em Campo Grande. Luso de Queiroz, que possui uma trajetória ligada à esquerda e disputou as eleições de 2026 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou que votará em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

Entrevistado pelos jornalistas Alipio Neto, Keliane Fernandes, Pedrinho Espina e João Flores, Luso aproveitou sua participação para fazer uma série de críticas ao próprio campo político, questionando a condução do PT, a influência da chamada esquerda identitária e o tratamento dispensado a trabalhadores, jovens e representantes indígenas.

A declaração ganha relevância pela trajetória política do entrevistado. Luso participou de movimentos estudantis, construiu sua atuação política dentro da esquerda, disputou a Prefeitura de Campo Grande pelo PSOL em 2024 e, dois anos depois, concorreu às eleições pelo PT.

Agora, às vésperas do segundo turno presidencial, ele afirma que não pretende anular o voto e que sua escolha será pelo candidato do PL.

“Vou votar no Flávio Bolsonaro”

Durante a entrevista, Luso deixou clara sua decisão e apresentou críticas às pautas identitárias como um dos motivos para votar no adversário do PT.

“Sendo muito sincero, eu, na minha vida, anulei meu voto duas vezes. Nessa eleição não vou anular, não”, declarou.

Na sequência, anunciou:

“Vou votar contra a ideologia queer, contra o discurso étnico, fazer o 22 e demitir essa galera que tá usando a juventude de esquerda, que só usa a pauta LGBT e não traz direitos. Vou votar no Flávio Bolsonaro.”

Críticas a Camila Jara e à esquerda identitária

Outro ponto da entrevista envolveu a influência de setores da esquerda na condução política e eleitoral do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul.

Segundo Luso, ele e o ex-vereador Paulo Pedra chegaram a defender, junto a Fábio Trad, uma estratégia voltada ao trabalhismo clássico, com maior aproximação das classes populares.

Na avaliação do ex-candidato, foi justamente a identificação com o trabalhador que ajudou a consolidar a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva no passado.

Luso afirmou que tanto o PT quanto Fábio Trad teriam sido prejudicados pela influência da chamada esquerda identitária, que ele associou à atuação política da deputada federal Camila Jara.

Na interpretação do entrevistado, o partido teria deixado em segundo plano questões diretamente relacionadas à vida dos trabalhadores para priorizar disputas ideológicas e pautas identitárias.

Denúncia sobre indígenas e fundo eleitoral

Luso também questionou o tratamento dispensado pelo Partido dos Trabalhadores a lideranças indígenas durante a campanha eleitoral.

De acordo com ele, candidatos indígenas não teriam recebido recursos do fundo eleitoral pelo PT, situação que apresentou como exemplo da distância entre o discurso de inclusão da legenda e suas práticas internas.

O ex-candidato comparou o episódio à atuação do Partido Liberal, afirmando que o PL teria destinado recursos eleitorais a representantes indígenas.

“O trabalhador leva a mesma facada no supermercado”

A situação econômica da população também entrou nas críticas.

Para Luso, o discurso político de parte da esquerda estaria cada vez mais distante da realidade enfrentada diariamente pelos brasileiros, principalmente por aqueles que dependem do próprio salário para sobreviver.

“O trabalhador, quando ele vai no supermercado, ele leva a mesma facada”, afirmou.

O ex-candidato defendeu maior atenção aos problemas concretos da população, incluindo o custo de vida e as dificuldades enfrentadas por quem trabalha.

Na avaliação dele, o afastamento dessas questões contribui para os desgastes políticos enfrentados pelo PT.

Futebol, companhias aéreas e críticas ao governo

Luso também citou situações relacionadas ao transporte aéreo e ao futebol brasileiro para sustentar seu argumento de que o próprio PT estaria cometendo erros capazes de prejudicar sua imagem diante do eleitorado.

Ao comentar as condições enfrentadas por passageiros após cancelamentos de voos, fez uma comparação com o atendimento oferecido pelas companhias aéreas no passado.

“Você teve o seu voo cancelado por causa de chuva. Antigamente, a TAM te daria um hotel e hoje você vai dormir no carpete. Isso antes da eleição. Isso é o PT se autossabotando, isso não é a CIA”, declarou.

Em outro momento, o ex-candidato criticou o que classificou como uma guerra do PT contra o Campeonato Brasileiro, fazendo referência à força popular do futebol e dos grandes clubes.

“Não estou apoiando a bet, mas sei da força do Flamengo e do futebol. Então são erros que o PT não consegue perceber, porque eles vivem num mundo paralelo”, afirmou.

Críticas ao discurso sobre interferência internacional

O ex-candidato ainda abordou narrativas sobre uma suposta interferência internacional nas eleições brasileiras.

Luso questionou acusações de que existiria uma articulação estrangeira para beneficiar Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que criticou relações de setores da esquerda com os Estados Unidos e com integrantes do Partido Democrata norte-americano.

Segundo sua avaliação, haveria contradições entre o discurso adotado por determinados grupos políticos e suas próprias relações internacionais.

Declaração ocorre em momento decisivo da eleição

A manifestação de Luso ocorre em meio à disputa do segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Sua posição chama a atenção especialmente pelo histórico de participação em movimentos de esquerda e pelas candidaturas que disputou pelo PSOL e, mais recentemente, pelo próprio PT.

Ao anunciar voto em Flávio Bolsonaro, Luso também procurou justificar sua decisão com críticas às prioridades políticas do partido e à condução de suas lideranças.

Além da mudança de posicionamento eleitoral, a entrevista trouxe questionamentos sobre a distribuição de recursos de campanha e sobre a representação de diferentes grupos sociais dentro do PT.