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BOMBA: Lindbergh revela que equipe de Soraya teve contato com homem que denunciou suposta armação contra Gaspar

Em entrevista, petista afirmou que Luiz Antonio Lopes manteve contato com a equipe da senadora; o mesmo homem depois denunciou à Polícia Legislativa uma suposta armação.

Uma declaração do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acrescenta um novo e explosivo capítulo ao caso da acusação de estupro de vulnerável apresentada contra Alfredo Gaspar (PL-AL), atual candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.

Depois de dias de repercussão do depoimento encaminhado pela Câmara dos Deputados ao Supremo Tribunal Federal, Lindbergh falou sobre Luiz Antonio Lopes, comerciante que procurou o gabinete de Gaspar e posteriormente relatou à Polícia Legislativa uma suposta trama para fabricar a acusação contra o parlamentar.

E, ao negar que pessoalmente tivesse mantido contato com Luiz, Lindbergh revelou um fato até então desconhecido publicamente:

a equipe da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) teria mantido contato com o comerciante e recebido “vários áudios” enviados por ele.

A declaração foi feita pelo próprio Lindbergh durante entrevista a um programa do grupo UOL.

Esse tal de Luiz Antônio Lopes, eu não tive nenhum contato. A Soraya teve, a senadora Soraya Thronicke teve contato com o Luiz Antônio Lopes. Luiz Antônio Lopes mandou vários áudios lá para a equipe da Soraya.”

A afirmação ganha dimensão especialmente relevante porque Soraya foi justamente a parlamentar que, ao lado de Lindbergh, levou à Polícia Federal, em 27 de março, a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar.

E Luiz Antonio Lopes é o mesmo homem que, semanas depois, prestou depoimento à Polícia Legislativa afirmando ter conhecimento de uma suposta fabricação daquela acusação.

 

Lindbergh: “Eu não tive nenhum contato. A Soraya teve”

Ao ser questionado sobre o caso, Lindbergh procurou afastar qualquer relação direta com Luiz Antonio Lopes.

Mas, ao fazer isso, apontou diretamente para Soraya e sua equipe.

Confira a íntegra do trecho da declaração:

Esse tal de Luiz Antônio Lopes, eu não tive nenhum contato. A Soraya teve, a senadora Soraya Thronicke teve contato com o Luiz Antônio Lopes. Luiz Antônio Lopes mandou vários áudios lá para a equipe da Soraya. Eu não sei se teve pessoalmente, eu vi a secretária. Mas teve uma apuração, inclusive tá para sair agora essa matéria do Piauí. Houve uma apuração dessa Alessandra Medina. Essa Alessandra Medina, que é uma jornalista séria, respeitada, ela disse que conversou com a menina, teve tudo isso. Então, nós jogamos para a Polícia Federal. Aí no meio do processo, acontece uma coisa estranha, que é esse caso do Gaspar, levar esse sujeito, esse Luiz Antônio Lopes, para um depoimento na Polícia Legislativa. Eu tô querendo saber quem da Câmara autorizou uma fraude como essa, porque esse é um caso que envolvia uma investigação do Supremo.”

A fala traz pelo menos três informações relevantes.

Primeiro, Lindbergh nega qualquer contato próprio com Luiz Antonio.

Segundo, afirma categoricamente que Soraya teve contato e que Luiz encaminhou “vários áudios” para a equipe da senadora.

Terceiro, o deputado questiona a legalidade ou regularidade do depoimento prestado posteriormente por Luiz à Polícia Legislativa, chegando a chamar o episódio de “fraude”.

Quem é Luiz Antonio Lopes?

É justamente a identidade do interlocutor mencionado por Lindbergh que torna a declaração relevante.

Luiz Antonio Lopes, comerciante do Rio de Janeiro, é o homem que procurou o gabinete de Alfredo Gaspar afirmando possuir informações sobre uma suposta armação para acusá-lo de estupro de vulnerável.

O primeiro contato conhecido ocorreu em 14 de abril, quando a assessora de Gaspar, Marise Pena, comunicou à Polícia Legislativa que recebera uma ligação do comerciante.

Segundo o relato, Luiz dizia conhecer uma trama envolvendo uma jovem que assumiria identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma história de abuso sexual contra Gaspar.

Em 23 de abril, Luiz prestou depoimento formal à Polícia Legislativa.

Foi então que apresentou uma narrativa detalhada.

Funcionária de quiosque teria sido recrutada

Segundo o depoimento, uma jovem identificada como Marcela Maria Mendes, que havia prestado serviços no quiosque de Luiz, teria sido recrutada para assumir uma identidade fictícia.

Ela deveria se apresentar como “Jailma”, dizer que era de Maceió e sustentar que havia sido abusada sexualmente por um político quando tinha 13 anos.

Da suposta violência teria nascido uma criança.

O político associado à narrativa seria Alfredo Gaspar.

Luiz afirmou ainda que Marcela teria sido recrutada por um homem chamado Lucas, conhecido como “Doidinho”, que se apresentaria como assessor legislativo e teria ligações com o ambiente político de Nova Iguaçu.

Essas afirmações são parte do depoimento do comerciante e ainda dependem de comprovação pelas autoridades.

Depoimento fala em pagamentos

Luiz também afirmou que sua própria conta bancária teria sido utilizada para movimentar recursos destinados a Marcela.

Foram mencionados três pagamentos:

R$ 10 mil
R$ 4 mil
R$ 2,5 mil

O total mencionado chega a R$ 16,5 mil.

Segundo as informações encaminhadas às autoridades, o comerciante apresentou comprovantes relativos aos valores de R$ 10 mil e R$ 2,5 mil.

Um dos pagamentos citados no depoimento também teria relação com Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer, entidade investigada durante os trabalhos da CPMI do INSS.

E o depoimento cita o próprio Lindbergh

A situação fica ainda mais delicada porque o relato de Luiz não se limita a terceiros.

O comerciante afirmou à Polícia Legislativa que Marcela teria participado de uma reunião pelo Google Meet na qual, segundo ele, estariam Lindbergh Farias, Carlos Roberto Lopes, um vereador de Nova Iguaçu conhecido como “Toninho da Padaria” e outras pessoas.

Segundo o depoimento, Marcela teria cobrado durante o encontro valores que lhe haviam sido prometidos.

O documento registra que, na percepção de Luiz, Lindbergh parecia ter conhecimento do contexto discutido na reunião.

Lindbergh agora nega ter tido qualquer contato com Luiz.

A declaração ao UOL, porém, acrescenta uma informação nova: segundo o próprio deputado, Luiz mantinha comunicação com a equipe de Soraya.

Quais são os áudios enviados à equipe de Soraya?

A revelação abre uma nova frente de questionamentos.

Quando Luiz Antonio Lopes começou a conversar com a equipe de Soraya?

Quantos áudios foram enviados?

Qual era o conteúdo dessas mensagens?

Soraya ouviu pessoalmente os áudios?

Sua equipe respondeu?

As mensagens foram enviadas antes ou depois de Soraya e Lindbergh procurarem a Polícia Federal em 27 de março?

E talvez a questão mais importante: o conteúdo desses áudios dizia respeito à acusação contra Alfredo Gaspar ou à posterior denúncia de que essa acusação teria sido fabricada?

A cronologia dessa comunicação pode ser decisiva.

Se os contatos ocorreram antes de 27 de março, poderão ajudar a esclarecer quais informações estavam em poder da equipe de Soraya quando a senadora decidiu levar a acusação à PF.

Se ocorreram posteriormente, será necessário saber o que Luiz relatou à equipe da parlamentar e como essas informações foram tratadas.

Lindbergh cita jornalista e reportagem da Piauí

Na entrevista, Lindbergh também apresentou sua versão sobre a origem das informações que levaram os parlamentares a procurar a Polícia Federal.

Segundo ele, houve uma apuração jornalística envolvendo Alessandra Medina, a quem classificou como uma profissional “séria” e “respeitada”.

Lindbergh afirmou que a jornalista teria conversado com a menina mencionada no caso e declarou que uma reportagem estaria para ser publicada pela revista Piauí.

“Houve uma apuração dessa Alessandra Medina. Essa Alessandra Medina, que é uma jornalista séria, respeitada, ela disse que conversou com a menina, teve tudo isso. Então, nós jogamos para a Polícia Federal.”

A declaração apresenta, portanto, a versão de Lindbergh para justificar o encaminhamento da acusação às autoridades: os parlamentares teriam recebido informações decorrentes de uma apuração e decidido submetê-las à Polícia Federal.

Mas Lindbergh chama depoimento de Luiz de “fraude”

O petista também partiu para o ataque contra a forma como Luiz Antonio Lopes acabou ouvido pela Polícia Legislativa.

Segundo Lindbergh:

“Aí no meio do processo, acontece uma coisa estranha, que é esse caso do Gaspar levar esse sujeito, esse Luiz Antônio Lopes, para um depoimento na Polícia Legislativa.”

Na sequência, foi ainda mais duro:

“Eu tô querendo saber quem da Câmara autorizou uma fraude como essa, porque esse é um caso que envolvia uma investigação do Supremo.”

Lindbergh não apresentou, nesse trecho da entrevista, elementos que demonstrem que o depoimento realizado pela Polícia Legislativa tenha sido fraudulento.

O relato de Luiz foi formalmente colhido e posteriormente percorreu a estrutura institucional da Câmara.

Como o próprio Lindbergh foi citado e possui foro por prerrogativa de função, o material passou pela Corregedoria e chegou à Mesa Diretora.

Em 5 de maio, a Câmara encaminhou o caso ao STF.

Câmara mandou denúncia ao Supremo

Esse ponto é relevante diante da acusação de “fraude” feita por Lindbergh.

O material não ficou restrito ao gabinete de Alfredo Gaspar ou a uma iniciativa particular do parlamentar.

Depois do depoimento, a documentação foi encaminhada internamente e terminou remetida ao Supremo Tribunal Federal por intermédio da estrutura da Câmara dos Deputados.

Agora caberá às autoridades verificar a credibilidade das versões apresentadas e a regularidade de todos os procedimentos adotados.

Soraya já terá de prestar informações ao STF

A revelação feita por Lindbergh surge justamente quando Soraya já está sob cobrança do Supremo por informações adicionais relacionadas à denúncia original.

O ministro Gilmar Mendes deu à senadora 15 dias para fornecer elementos que ajudem na identificação dos autores de mensagens existentes nos autos, informações sobre ligações telefônicas e dados relacionados à suposta vítima e à criança mencionadas na acusação.

A ordem não significa que Soraya seja investigada por participar da eventual fabricação da história.

Mas a revelação de Lindbergh aumenta a importância de esclarecer quais pessoas mantiveram contato com a senadora e sua equipe e quais informações chegaram ao gabinete antes e depois da denúncia apresentada à PF.

O próprio parceiro da denúncia coloca equipe de Soraya no caminho de Luiz

Até agora, a ligação entre Soraya e Luiz Antonio Lopes aparecia cercada por dúvidas.

A declaração de Lindbergh acrescenta uma fonte particularmente relevante para essa informação: o próprio parlamentar que apresentou a acusação contra Gaspar junto com Soraya.

Não foi Alfredo Gaspar quem afirmou, nesta entrevista, que a equipe da senadora conversou com Luiz.

Não foi a defesa do candidato a vice-presidente.

Foi Lindbergh Farias.

“Eu não tive nenhum contato. A Soraya teve.”

E acrescentou:

“Luiz Antônio Lopes mandou vários áudios lá para a equipe da Soraya.”

Isso não demonstra que Soraya soubesse de qualquer eventual armação.

Também não comprova a versão apresentada por Luiz à Polícia Legislativa.

Mas estabelece um novo ponto que precisa ser esclarecido: qual era exatamente a relação entre Luiz Antonio Lopes e a equipe da senadora?

O Contribuinte buscará os áudios e a versão de Soraya

Diante da revelação feita pelo próprio Lindbergh Farias, O Contribuinte buscará esclarecimentos junto à senadora Soraya Thronicke sobre os contatos mantidos por sua equipe com Luiz Antonio Lopes.

O portal também considera essencial saber se os áudios mencionados pelo deputado ainda estão preservados e se foram ou serão disponibilizados à Polícia Federal ou ao Supremo Tribunal Federal.

O espaço permanece aberto para manifestação de Soraya, Lindbergh, Alfredo Gaspar e dos demais envolvidos.

A pergunta que surge depois da entrevista do próprio Lindbergh é objetiva:

o que Luiz Antonio Lopes contou nos “vários áudios” enviados à equipe de Soraya Thronicke e quando essas mensagens chegaram ao gabinete da senadora?

A resposta pode ser determinante para entender um dos episódios mais graves surgidos da CPMI do INSS.