Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), o general Walter Braga Netto afirmou que o tenente-coronel Mauro Cid “faltou com a verdade” ao citá-lo em delação premiada que envolve suposta conspiração para um golpe de Estado após as eleições de 2022.
A declaração foi dada no âmbito do inquérito que investiga autoridades civis e militares acusadas de participar de uma articulação golpista para manter Jair Bolsonaro no poder. Durante sua fala, Braga Netto negou qualquer envolvimento com o planejamento de medidas ilegais e rebateu diretamente as acusações de Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que tem colaborado com a Polícia Federal como delator.
“Para mim, ele faltou com a verdade. Nunca participei de qualquer reunião com esse conteúdo. Meu papel sempre foi institucional e dentro da legalidade”, afirmou o general.
Braga Netto, que foi ministro da Defesa e também candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022, está preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Ele é investigado por suposta participação em discussões sobre medidas autoritárias para impedir a posse do presidente Lula.
A acusação de Mauro Cid contra Braga Netto faz parte de uma série de delações que têm embasado a ofensiva da Polícia Federal contra antigos aliados do ex-presidente. Cid afirmou, em depoimentos, que Braga Netto teria participado de reuniões onde se discutiu a elaboração de minutas de decretos para anular o resultado das eleições.
Braga Netto, no entanto, tem sustentado sua inocência e pedido, por meio de seus advogados, a revogação da prisão preventiva, alegando que não há provas de sua participação em qualquer ato antidemocrático.
A defesa também afirma que o general sempre colaborou com as investigações e que sua permanência em prisão preventiva não se justifica juridicamente.