Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o analfabetismo no Brasil continua fortemente concentrado na população idosa. Em 2024, cerca de 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade não sabiam ler nem escrever, e desse total, aproximadamente 58% tinham 60 anos ou mais, evidenciando o impacto das desigualdades educacionais acumuladas ao longo das gerações.
O levantamento integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Educação) e reforça um padrão já observado em anos anteriores: quanto maior a faixa etária, maior a taxa de analfabetismo. Entre os idosos, a taxa permanece significativamente superior à média nacional, refletindo um histórico de menor acesso à escolarização formal em décadas passadas, quando o sistema educacional brasileiro ainda era menos abrangente.
Apesar disso, o país vem registrando avanços consistentes na redução do analfabetismo. A taxa geral entre pessoas com 15 anos ou mais caiu para 5,3% em 2024, o menor nível da série histórica iniciada em 2016. Em termos absolutos, houve redução de centenas de milhares de pessoas analfabetas em comparação aos anos anteriores, indicando melhora gradual nos indicadores educacionais.
O IBGE destaca que o envelhecimento populacional também contribui para a manutenção da concentração do analfabetismo entre idosos. Esse grupo, além de representar uma parcela crescente da população brasileira, reúne pessoas que tiveram menos acesso à escola em sua infância e juventude, especialmente em regiões mais vulneráveis e em períodos anteriores à universalização do ensino fundamental.
Outro ponto observado nos dados é a desigualdade regional e social associada ao analfabetismo, com maior incidência em áreas historicamente menos favorecidas em infraestrutura educacional. Ainda assim, o cenário entre as gerações mais jovens é significativamente diferente, com taxas muito mais baixas, indicando avanço contínuo da escolarização no país.
Especialistas reforçam que, embora os números mostrem progresso, o desafio da alfabetização de adultos e idosos ainda exige políticas públicas específicas, voltadas à educação de jovens e adultos (EJA), além de ações de inclusão social e incentivo ao letramento tardio.
O conjunto dos dados evidencia um Brasil em transição educacional: com avanços importantes na redução do analfabetismo geral, mas ainda marcado por um legado histórico que mantém a população idosa como o principal grupo afetado pela ausência de alfabetização.