Segundo o Ministério Público, amizade íntima e confiança pessoal foram usadas para induzir vítimas a investir em negócios inexistentes
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Camilo Zahran por supostamente liderar um esquema de estelionato e associação criminosa que teria causado um prejuízo estimado em R$ 5 milhões. O caso chama atenção porque, segundo a investigação, o golpe teria sido aplicado contra um casal de amigos íntimos que o escolheu como padrinho de casamento, relação apontada como central para a construção da confiança usada na fraude.
A denúncia foi apresentada pela 10ª Promotoria de Justiça de Campo Grande e descreve uma sequência de fatos ocorridos ao longo de 2023, período em que as vítimas teriam sido induzidas a investir altas quantias em negócios inexistentes ou fraudulentos.
Confiança pessoal como base da fraude
De acordo com o Ministério Público, Camilo Zahran se valeu de amizade próxima, convivência social intensa e laços pessoais profundos para convencer o casal a realizar os investimentos. A acusação aponta que a relação extrapolava o ambiente profissional e envolvia vínculos afetivos entre eles, o fato de Camilo ter sido padrinho de casamento das próprias vítimas.
Para os promotores, esse contexto foi decisivo para reduzir qualquer desconfiança e facilitar a transferência dos valores.
Peso do sobrenome e posição social
No contexto da denúncia, o Ministério Público também destaca que o sobrenome Zahran conferia credibilidade às propostas apresentadas. Camilo Zahran é citado como integrante de família ligada a um dos grupos empresariais mais tradicionais de Mato Grosso do Sul, o que, segundo a acusação, reforçou a percepção de solidez e segurança dos supostos negócios.
Negócios prometidos e nunca realizados
Entre os investimentos apresentados às vítimas, segundo a denúncia, estavam operações de exportação, representações comerciais e participações em empreendimentos empresariais que jamais se concretizaram.
Apesar das promessas de lucro e garantias de retorno, os rendimentos não foram pagos e o capital investido não foi devolvido, gerando um prejuízo que, segundo o MP, chega a R$ 5 milhões.
Golpe no período do casamento
A investigação aponta que parte do prejuízo ocorreu justamente no período do casamento e da lua de mel do casal, quando as vítimas aguardavam os valores prometidos para honrar compromissos financeiros assumidos.
Questionado sobre a ausência dos pagamentos, Camilo Zahran teria alegado, conforme a denúncia, que os recursos haviam sido perdidos em operações malsucedidas, prometendo devolver os valores posteriormente, o que não aconteceu.
Destino do dinheiro
O Ministério Público sustenta que os valores foram transferidos para contas de terceiros e empresas ligadas a outros denunciados, em uma dinâmica que teria como objetivo dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. A prática é descrita na denúncia como uma forma de pulverização dos recursos.
O que pesa na acusação
Camilo Zahran e os demais envolvidos foram denunciados pelos crimes de:
– Estelionato, praticado reiteradas vezes
– Associação criminosa
O Ministério Público também pediu que, em eventual condenação, seja fixado valor mínimo de R$ 5 milhões para reparação dos danos. O Portal O Contribuinte segue aberto para manifestação da defesa.