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Carlos Bolsonaro e Reinaldo Azambuja negam articulação para candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul

O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul, ex-governador Reinaldo Azambuja, foi o primeiro a se posicionar sobre os rumores de uma eventual candidatura de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao Senado pelo Estado.

Em entrevista concedida ao site Investiga MS, Azambuja negou qualquer tratativa envolvendo o nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro:

“Comigo, nunca falaram sobre isso.”

O ex-governador também afirmou que não pretende alimentar especulações, dizendo que “isso nunca foi cogitado”.

Horas depois, na noite de ontem (10), o vereador Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para rebater a informação publicada pelo portal Contribuinte, que havia noticiado movimentações nos bastidores sobre a possibilidade de o parlamentar disputar o Senado por Mato Grosso do Sul.

Em um storie no Instagram, Carlos classificou a matéria como fake news e ironizou:

“Pra variar, fake news pela democracia.”

Entenda o contexto: bastidores e tensões dentro do PL

A matéria do Contribuinte TV não afirmava que Carlos Bolsonaro havia decidido concorrer no Mato Grosso do Sul, mas destacava que o Estado, assim como Roraima e outros redutos bolsonaristas,  vinha sendo cogitado nos bastidores como alternativa, caso persistisse a rejeição crescente ao nome de Carlos em Santa Catarina, onde ele pretendia transferir o domicílio eleitoral para disputar o Senado.

A resistência ao vereador dentro da base bolsonarista catarinense vem se intensificando nos últimos meses. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL), que busca reeleição em 2026, foi uma das primeiras a se posicionar contra a candidatura de Carlos, o que resultou em uma verdadeira “lavação de roupa suja” entre ela e membros da família Bolsonaro.

Entre os irmãos, apenas Flávio Bolsonaro tentou conter a crise publicamente. Eduardo Bolsonaro, refugiado nos Estados Unidos, chegou a responder críticas de eleitores em comentários nas redes, mas o embate dentro do grupo se manteve acirrado.

A deputada federal Carol de Toni (PL), considerada o nome natural de Bolsonaro para o Senado catarinense, passou a enfrentar uma situação delicada: caso Carlos realmente disputasse a vaga, ela teria de deixar o partido para concorrer. A possibilidade revoltou parte do eleitorado, que passou a defender publicamente as deputadas e rejeitar o vereador.

Carlos, por sua vez, chegou a afirmar que “os senadores da direita seriam ele e Carol de Toni”, tentando minimizar o conflito. A frase, no entanto, foi interpretada como contradição e gerou ainda mais desgaste dentro da base conservadora.

Valdemar e a crise no PL catarinense

Em setembro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que o senador Esperidião Amin (PP) também seria candidato de Bolsonaro, dentro de uma coligação articulada para fortalecer a reeleição do governador Jorginho Mello (PL).

Na ocasião, Valdemar disse que ainda avaliaria a situação de Carol de Toni, uma vez que a candidatura de Carlos Bolsonaro seria uma imposição nacional. A declaração, amplamente repercutida, acirrou os ânimos dentro do partido e foi relembrada por De Toni nos últimos dias, em meio à troca pública de críticas.

Desde então, a opinião pública em Santa Catarina tem se posicionado de forma predominantemente contrária a Carlos Bolsonaro, com eleitores demonstrando apoio às deputadas e criticando a condução da disputa interna. Veja:

Cenário fechado no Mato Grosso do Sul

Com a manifestação de Reinaldo Azambuja e a negação de Carlos Bolsonaro, o cenário de uma possível candidatura do vereador pelo Mato Grosso do Sul está encerrado ao menos por ora.

Mesmo assim, o Estado segue com movimentações intensas em torno da segunda vaga ao Senado. Nomes como o ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB), a vice-prefeita de Dourados Giane Nogueira (PL) e o advogado Marcos Polon, que avalia disputar o governo, são apontados como opções dentro do campo conservador.

Nos bastidores, aliados afirmam que Azambuja tenta evitar o fortalecimento de um candidato bolsonarista puro-sangue, temendo perder espaço em um Estado reconhecido por seu perfil majoritariamente de direita.

Com isso, Carlos Bolsonaro se vê politicamente isolado, enfrentando críticas em Santa Catarina, rompimentos no Mato Grosso e portas fechadas no Mato Grosso do Sul reflexo direto das divisões que hoje marcam o núcleo do bolsonarismo político.