Após crise em Santa Catarina, filho do ex-presidente surge como alternativa estratégica para o PL em território sul-mato-grossense
Os bastidores da política nacional ganharam um novo capítulo nos últimos dias: o nome de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser cogitado como possível candidato ao Senado Federal pelo Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.
A possibilidade surgiu após o desgaste do vereador carioca em Santa Catarina, onde vinha sendo ventilado como opção da direita bolsonarista para disputar a vaga ao Senado naquele estado.
Apesar de ter aparecido bem nas primeiras pesquisas, liderando, o cenário catarinense mudou rapidamente. Nas últimas semanas, Carlos Bolsonaro enfrentou forte resistência dentro da própria base conservadora, em razão de atritos com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) e com influenciadores e lideranças da direita local.
O embate entre Carlos, Eduardo e figuras da direita catarina resultou numa série de manifestações contrárias à candidatura de Carlos no estado. Até mesmo o principal veículo de imprensa de Santa Catarina publicou um editorial defendendo que o estado tenha senadores catarinenses, em referência indireta ao vereador do Rio de Janeiro, que teria planos de se mudar para o Sul visando a disputa.
Nos bastidores, o PL nacional e o senador Flávio Bolsonaro vêm tentando apaziguar os ânimos, mas internamente já se avalia que Santa Catarina deixou de ser o melhor cenário para Carlos Bolsonaro.
Mato Grosso do Sul entra no radar do bolsonarismo
Com o impasse em Santa Catarina, a articulação nacional do Partido Liberal (PL) passou a avaliar o Mato Grosso do Sul como uma alternativa viável para a candidatura de Carlos Bolsonaro.
O estado, que tem sido palco de disputas intensas entre alas conservadoras, apresenta um contexto político que pode favorecer essa movimentação.
O ex-governador Reinaldo Azambuja, atual presidente estadual do PL, busca fortalecer o partido no cenário local e ampliar sua interlocução com o bolsonarismo, setor com o qual sempre teve relações delicadas, especialmente após a última eleição, quando o grupo tucano apoiou a candidatura de Eduardo Riedel (PP) contra o ex-deputado Capitão Contar, nome identificado com a direita raiz.
Analistas apontam que uma dobradinha entre Reinaldo Azambuja e Carlos Bolsonaro ao Senado em 2026 poderia ser benéfica para ambos:
Azambuja ganharia o apoio da base bolsonarista, hoje resistente ao seu grupo político;
E Carlos teria estrutura e capilaridade dentro de um estado onde o PL (com Reinaldo) tem forte presença, com prefeitos, vereadores e deputados.
Além disso, a presença de Carlos Bolsonaro na chapa fortaleceria o alinhamento do PL com o ex-presidente Jair Bolsonaro, garantindo apoio direto ao projeto de maioria bolsonarista no Senado.
O fator Marcos Pollon e a disputa interna pela direita
Outro nome que pode influenciar o cenário é o do deputado federal Marcos Pollon (PL), líder do movimento Pró-Armas e aliado próximo de Eduardo Bolsonaro.
Pollon é considerado um dos nomes mais fortes da direita no estado e tem pretensões de disputar o governo de Mato Grosso do Sul em 2026.
Nos bastidores, há quem avalie que Pollon poderia articular uma aliança paralela com Carlos Bolsonaro, caso o grupo de Reinaldo Azambuja não avance na construção política.
Embora esse cenário seja mais complexo, dada a disputa de espaço dentro do próprio PL, a proximidade ideológica e pessoal entre Pollon e Eduardo Bolsonaro faz com que essa hipótese não seja descartada por lideranças da direita nacional.
O que se desenha, portanto, é um tabuleiro ainda em movimento. Enquanto Santa Catarina perde espaço para o projeto de Carlos Bolsonaro, o Mato Grosso do Sul surge como terreno fértil para a consolidação de uma candidatura simbólica para o bolsonarismo, seja numa composição com Reinaldo Azambuja, seja numa aliança com Marcos Pollon.
A definição deve ocorrer nos primeiros meses de 2026, conforme o PL nacional ajusta suas estratégias regionais e o ex-presidente Jair Bolsonaro se dedica a recompor a unidade dentro de seu grupo político.