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Cartas Marcadas: MP aponta jogo viciado em licitações e afasta agentes públicos em cinco cidades

Investigação do Ministério Público revela atuação de agentes políticos e empresários em fraudes que atingem Corguinho, Rio Negro, Terenos, Rochedo e Campo Grande

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a Operação Cartas Marcadas, que resultou no cumprimento de 76 ordens judiciais em cinco municípios sul-mato-grossenses. A ação tem como foco o combate a crimes contra a Administração Pública, especialmente fraudes em licitações e contratos públicos.

A operação foi realizada nos municípios de Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos, por determinação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a partir de investigação conduzida pelo MPMS, sob delegação da Procuradoria-Geral de Justiça.

Ao todo, foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de afastamento de cargos públicos, 22 mandados de proibição de contratar com o Poder Público e três mandados de suspensão de contratos administrativos em vigor. As diligências contaram com apoio operacional do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.

Organização criminosa e liderança política

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou a existência de uma organização criminosa estruturada, instalada principalmente nos municípios de Corguinho e Rio Negro, com núcleos de atuação bem definidos e liderança exercida por agentes políticos, apontados como os principais articuladores do esquema.

O grupo criminoso utilizava servidores públicos corrompidos para frustrar o caráter competitivo de licitações, direcionando certames a empresas previamente escolhidas. As irregularidades iam desde dispensas de licitação manipuladas para aquisição de materiais de expediente até contratações de empresas para execução de obras públicas, algumas delas iniciadas antes mesmo da formalização contratual.

Contratos milionários e provas compartilhadas

De acordo com o MPMS, os contratos sob investigação, firmados apenas nos últimos três anos, se aproximam de R$ 9 milhões. As apurações avançaram a partir de provas robustas, especialmente dados extraídos de telefones celulares apreendidos nas Operações Turn Off e Malebolge, cujo compartilhamento foi autorizado judicialmente.

Esses elementos revelaram o modus operandi da organização criminosa e permitiram identificar os agentes políticos responsáveis por comandar o esquema de fraudes e direcionamento de contratos públicos.

Alvos já identificados

Conforme já havia apurado o Portal O Contribuinte, entre os alvos da operação estão a ex-prefeita de Corguinho, Marcela Ribeiro Lopes (PSDB), que teve a residência visitada pelos investigadores, e o ex-prefeito de Rio Negro, Buda do Lair (PSDB), cujos endereços também foram alvos de buscas.

Em Terenos, os mandados atingiram a empresa Marsoft Informática e a residência do empreiteiro Rogério Luiz Ribeiro, investigado na Operação Spotless, que resultou no afastamento do então prefeito Henrique Budke (PSDB). Esta é a quinta operação do Gaeco no município em cerca de um ano e meio.

O atual prefeito de Terenos, Arlindo Lindolfo (Republicanos), informou que a prefeitura não é alvo direto das medidas judiciais cumpridas nesta fase da investigação.

Significado da operação

O nome “Cartas Marcadas” faz referência a um jogo previamente manipulado, no qual o resultado já é conhecido antes mesmo de começar. Segundo o MPMS, essa analogia traduz fielmente o esquema investigado: licitações com aparência de legalidade, mas cujo vencedor já estava definido por ajustes ilícitos entre agentes públicos e empresas investigadas.

O Ministério Público informou que as investigações continuam e que novas medidas não estão descartadas. O Portal O Contribuinte segue acompanhando o caso e trará atualizações assim que houver novos desdobramentos oficiais.