Documento afirma que parlamentar poderia ter votado remotamente
A crise interna no Partido dos Trabalhadores (PT) de Campo Grande ganhou novos contornos após a votação que manteve o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto que poderia reduzir a cobrança do IPTU e da Taxa do Lixo em 2026. O chefe de gabinete do deputado federal Vander Loubet, Ido Luiz Michels, protocolou representação ético-disciplinar contra o vereador Landmark Rios, acusando-o de infidelidade partidária e omissão deliberada.
A ausência de Landmark na sessão do último dia 10 de fevereiro foi decisiva. Para derrubar o veto do Executivo e reabrir caminho para a redução da cobrança, eram necessários 15 votos. A oposição obteve 14. O único voto que faltou poderia ter sido o do vereador petista, que não participou da sessão, nem presencialmente, nem de forma remota.
Na representação encaminhada ao diretório municipal, Michels classifica a conduta como “vexatória” e afirma que o parlamentar “fugiu” das duas votações relacionadas ao Projeto de Lei Complementar 1.016/2026. O documento sustenta que o Regimento Interno da Câmara permite votação online e que Landmark poderia ter registrado seu posicionamento mesmo estando em Brasília.
“A ausência trouxe o gosto amargo de que interesses políticos junto ao Executivo são maiores do que a defesa da população”, registra o texto.
Tentativas de contato e clima de constrangimento
Segundo a representação, os vereadores petistas Luíza Ribeiro e Jean Ferreira teriam tentado contato telefônico insistente para que Landmark participasse da votação remotamente, o que não ocorreu.
O episódio ganhou ainda mais simbolismo por ter ocorrido no mesmo dia em que o PT comemorava 46 anos de fundação. Michels afirma que o partido foi colocado “à margem da própria história” ao ver um de seus vereadores se omitir em uma votação considerada estratégica para aliviar o bolso do contribuinte.
O documento também menciona que, após a polêmica, o vereador indicou a própria esposa para receber homenagem oficial da Câmara no aniversário da Capital, fato citado como indício de uso do mandato para “mera satisfação de interesses pessoais”.
Argumento da defesa
No dia da votação, a assessoria de Landmark divulgou nota afirmando que a ausência ocorreu por coincidência de datas após sucessivos adiamentos da matéria. Segundo a justificativa, o vereador estava em Brasília articulando recursos para habitação e regularização fundiária junto ao Ministério das Cidades e ao gabinete do senador Nelsinho Trad (PSD).
A explicação, no entanto, não convenceu o grupo ligado a Vander Loubet, principal fiador político da eleição de Landmark em 2024. Nos bastidores, a representação é vista como um sinal claro de rompimento político.