Sem aliança nacional com outra legenda, Flávio pode optar por um nome do próprio PL; Daniella Marques, Rogério Marinho, Greyce Elias e Priscila Costa aparecem entre os cotados.
Flávio Bolsonaro anunciará nesta quarta-feira, 5 de agosto, o nome que completará sua chapa presidencial.
O PL convocou uma entrevista coletiva para as 11h, em Brasília, quando o candidato deverá encerrar uma das principais indefinições de sua campanha.
O anúncio ocorre depois de semanas de negociações com partidos de centro e de uma intensa tentativa de viabilizar a senadora Tereza Cristina como candidata a vice-presidente.
Tereza chegou a aceitar conversar sobre a composição e foi chamada por Flávio de sua “vice dos sonhos”. O Progressistas, entretanto, reafirmou sua neutralidade e não liberou oficialmente a senadora para a chapa.
Na véspera do anúncio, Michelle Bolsonaro ainda telefonou para Ciro Nogueira e tentou convencê-lo a apoiar a indicação.
O presidente nacional do PP manteve a negativa.
Anúncio será às 11h
O comunicado do PL à imprensa informa que o nome será apresentado em coletiva marcada para as 11h desta quarta-feira.
A definição acontece no momento em que os partidos encerram suas convenções e se aproximam do prazo final para registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral.
Flávio havia afirmado anteriormente que teria até 15 de agosto para concluir a escolha.
O partido, contudo, decidiu antecipar o anúncio e colocar fim às especulações.
Tereza permaneceu como primeira opção
Durante as articulações, Tereza Cristina foi apresentada como a principal opção para compor a chapa.
A senadora foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e possui grande influência junto ao setor produtivo e à Frente Parlamentar da Agropecuária.
Em Campo Grande, Flávio classificou Tereza como sua “vice dos sonhos”.
Em outra declaração, confirmou que havia feito o convite e recebido uma resposta favorável:
“A Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então, o convite foi feito, ela aceitou e agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não.”
O partido não avançou.
Depois de consultar seus diretórios estaduais, o Progressistas manteve a decisão de neutralidade.
Michelle fez última tentativa
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entrou diretamente na articulação e ligou para Ciro Nogueira.
Michelle pediu que o presidente nacional do PP apoiasse a indicação de Tereza ou permitisse sua participação na chapa.
Ciro recusou e reiterou que a federação União Progressista permaneceria neutra na disputa presidencial.
A ligação confirmou a mobilização da família Bolsonaro para tentar garantir a composição até os momentos finais.
Também representou um gesto de reaproximação de Michelle com Flávio após meses de divergências públicas.
Riedel prometeu lutar por Tereza
O governador Eduardo Riedel também defendeu a participação da senadora.
Durante a convenção que oficializou sua candidatura à reeleição em Mato Grosso do Sul, Riedel afirmou que brigaria até o último momento para que o Progressistas aceitasse a composição.
A declaração ocorreu diante de lideranças de nove partidos reunidos em torno de sua candidatura.
Tereza, por sua vez, afirmou que ajudaria Flávio “de uma maneira ou de outra”, mesmo que não fosse escolhida como vice.
Exclusivo: o que está por trás da neutralidade
Oficialmente, o Progressistas justificou sua posição com base na consulta aos diretórios estaduais.
A maioria das lideranças regionais teria optado por não vincular nacionalmente a federação a nenhum candidato à Presidência.
Conforme apuração exclusiva do O Contribuinte, porém, a neutralidade também estaria relacionada ao projeto eleitoral de Ciro Nogueira no Piauí.
O presidente do PP precisa disputar a reeleição ao Senado em um estado de forte presença de Lula e do Partido dos Trabalhadores.
Fontes que acompanham as articulações afirmam que Ciro teria trabalhado por uma trégua política para evitar que o PT concentrasse ataques contra sua candidatura.
Em troca, o Progressistas não aderiria oficialmente a Flávio.
Ciro enfrenta investigação da PF
A situação política de Ciro também é acompanhada de uma investigação relacionada ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal apura se o senador recebeu vantagens econômicas em troca de atuação parlamentar favorável a interesses do banco.
Entre os elementos mencionados na investigação estão supostos pagamentos mensais, viagens internacionais, hotéis de luxo, restaurantes, aeronaves particulares e uma emenda apresentada no Senado.
A defesa rejeita as acusações e afirma que Ciro não participou de qualquer atividade ilícita.
Tereza reconheceu redução das chances
Ao comentar o impasse, Tereza afirmou respeitar a decisão de seu partido.
A senadora reconheceu que, com o avanço do calendário eleitoral, a possibilidade de integrar a chapa havia diminuído “bastante”.
A declaração indicou que ela não pretendia promover uma ruptura pública com o Progressistas para ser candidata.
Mesmo assim, aliados continuaram trabalhando para encontrar uma fórmula de liberação individual, preservando neutros os diretórios que não quisessem acompanhar Flávio.
As tentativas não tiveram resultado até a véspera do anúncio.
Daniella Marques aparece como alternativa
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques é um dos nomes considerados para o posto.
Atualmente filiada ao Republicanos, Daniella foi elogiada publicamente por Flávio durante um evento promovido pelo portal O Antagonista e pela empresa G4.
“Tenho até o dia 15, mais uns dias de novela. A Dani, que está na plateia, é uma pessoa que eu queria muito que fosse minha vice. A Dani foi fantástica no governo Bolsonaro. Ela se encaixa em qualquer lugar”, declarou.
O Republicanos, contudo, também adotou uma posição de neutralidade nacional, deixando as decisões para seus diretórios estaduais.
Esse posicionamento poderia criar um impasse semelhante ao enfrentado com Tereza.
Chapa do próprio PL ganha força
O PL não conseguiu formar uma aliança nacional com outro partido.
Esse isolamento aumentou a possibilidade de Flávio escolher alguém da própria legenda e formar uma chapa puro-sangue.
Entre os nomes citados nas articulações estão:
o senador Rogério Marinho, do Rio Grande do Norte;
a deputada federal Greyce Elias, de Minas Gerais;
a vereadora Priscila Costa, do Ceará;
e outras mulheres identificadas com o campo conservador.
Priscila e Greyce acrescentariam presença feminina à chapa, enquanto Rogério Marinho ofereceria experiência administrativa, passagem pelo governo Jair Bolsonaro e interlocução política no Nordeste.
Até o anúncio oficial, as alternativas continuam no campo da especulação.
Expectativa chega ao fim
O anúncio desta quarta-feira encerra semanas de conversas, recusas, pressões e tentativas de superar a neutralidade dos partidos de centro.
Tereza foi a opção preferencial, recebeu apoio de Michelle, Tarcísio de Freitas, Eduardo Riedel, empresários e lideranças do agro.
Ciro Nogueira, entretanto, manteve a posição do Progressistas.
Às 11h, Flávio revelará se encontrou uma última saída para ter Tereza ou se seguirá com uma alternativa dentro do PL ou de outro partido.