A iminência de uma nova greve no transporte coletivo de Campo Grande, marcada para a próxima segunda-feira (15), gera apreensão na população e no legislativo municipal. O vereador Landmark Rios (PT) classificou a situação como um “pesadelo” para a cidade e para os trabalhadores do setor.
A paralisação foi aprovada em assembleia pelos motoristas do Consórcio Guaicurus na madrugada de quinta-feira (11). A decisão ocorre devido ao atraso de uma semana no pagamento dos salários de novembro, mesmo a empresa sendo detentora de um contrato bilionário com o município. Os trabalhadores também temem atrasos no 13º salário e no adiantamento previsto para 20 de dezembro.
Rito Legal e Falta de Confiança
O secretário-executivo do sindicato da categoria (STTCU-CG), Santino Cândido, explicou que a greve não poderia começar antes devido ao “rito” legal de 72 horas de aviso prévio. No entanto, a desconfiança entre a base dos trabalhadores é profunda.
Em áudios que circulam em grupos de WhatsApp, um motorista expressa ceticismo em relação às negociações, acusando o sindicato e a empresa de tentarem “enrolar” os trabalhadores. “Eles querem enrolar a gente para trabalharmos de graça mais essa semana”, desabafa o funcionário, que acredita que o pagamento só seria feito na segunda-feira, coincidindo com o início da paralisação.
Suspeitas
A tensão ocorre em um cenário de denúncias anteriores. Reportagem do Jornal Midiamax revelou que a paralisação de outubro teria sido resultado de um suposto conluio entre o sindicato e os empresários para pressionar por repasses públicos, levando inclusive a uma investigação do Tribunal Regional do Trabalho sobre possível locaute (lockout).
Em resposta às mensagens dos motoristas, um suposto representante sindical nos áudios argumenta que os prazos são necessários para dar legalidade a uma “greve geral”. Ele reconhece, porém, que por se tratar de um serviço essencial, a Justiça pode ordenar o funcionamento de 30% da frota mesmo durante a paralisação.
A situação coloca a população campo-grandense novamente sob a ameaça de um colapso no transporte, enquanto trabalhadores, sindicato e empresa permanecem em um impasse marcado pela falta de pagamentos e pela desconfiança mútua.