A participação de João Resende, ex-diretor e considerado o principal nome do Consórcio Guaicurus, na CPI do Transporte Coletivo de Campo Grande foi marcada por tensão, contradições e denúncias envolvendo a gestão do sistema de ônibus da Capital.
Durante o depoimento nesta segunda-feira, 16, Resende confirmou que a frota de ônibus está envelhecida e que não há previsão de renovação. Segundo ele, o consórcio não tem condições financeiras para trocar os veículos. A afirmação vai de encontro ao que determina o contrato de concessão, que exige a manutenção de uma frota dentro da idade média estipulada.
Outro ponto que chamou atenção foi a admissão, por parte do Consórcio, de que diversos ônibus estão circulando pela cidade sem o seguro obrigatório, previsto em contrato. A informação foi confirmada em audiência na CPI e gerou críticas entre os vereadores.
A audiência revelou também um profundo impasse financeiro entre o Consórcio e a Prefeitura, apontado como motivo da falta de investimentos.
O clima ficou ainda mais pesado na sessão em que Resende foi confrontado por parlamentares sobre a situação precária do transporte público e as denúncias de má gestão. Após ser acusado de omissão e cobrado por respostas sobre a falta de investimentos no serviço, o ex-diretor acabou deixando a sala da CPI chorando.
Mesmo após o episódio, Resende permanece na diretoria do Consórcio Guaicurus, em uma função considerada estratégica, responsável por decisões importantes dentro da operação do transporte coletivo da Capital.
Denúncias e próximas oitivas
Até agora, a CPI do Transporte Público já recebeu 616 denúncias da população, refletindo o descontentamento dos usuários com a qualidade do transporte coletivo oferecido em Campo Grande.
A terceira fase da CPI terá continuidade na quarta-feira (18), quando serão ouvidos o atual diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, e o sócio-proprietário, Paulo Constantino.