Candidata a deputada estadual reúne propostas para saúde, segurança, educação, infraestrutura e mulheres e diz que novo pacote representa compromisso assumido com eleitores de todas as regiões de Mato Grosso do Sul
A campanha de Ana Portela (PL) para a Assembleia Legislativa ganhou nesta semana um novo capítulo. Depois de ampliar sua presença política, reunir apoiadores de diferentes regiões e se apresentar como um dos novos nomes da direita em Mato Grosso do Sul, a vereadora decidiu colocar no papel o que pretende defender caso conquiste uma cadeira de deputada estadual.
São 22 ações para Mato Grosso do Sul.
O número não foi escolhido por acaso. Além de representar a quantidade de compromissos apresentados, 22 é também o número do Partido Liberal, legenda pela qual Ana construiu sua carreira política e dentro da qual atualmente preside o PL Mulher no Estado.

Na publicação feita nas redes sociais, a candidata resumiu o projeto em três palavras: “direção, propósito e compromisso”.
“Queremos um Mato Grosso do Sul onde toda mãe seja cuidada, toda criança cresça segura, todo trabalhador seja reconhecido, todo empreendedor tenha espaço pra crescer e cada família decida seu próprio caminho”, escreveu.
E completou:
“22 ações. Um só compromisso: mudar o MS de verdade.”

A proposta marca uma nova etapa da campanha. Ana deixa de apresentar apenas sua trajetória e os resultados conquistados na Câmara Municipal e passa a detalhar, tema por tema, o que pretende defender na Assembleia Legislativa.
Campanha ganha dimensão estadual
Ana Portela chega a esse momento depois de uma rápida ascensão política.
Eleita vereadora de Campo Grande pela primeira vez em 2024, com apoio público de Jair Bolsonaro, assumiu o mandato em 2025 e rapidamente conquistou espaços de projeção.
Foi relatora da CPI relacionada ao transporte coletivo, apresentou dezenas de projetos, teve leis sancionadas e passou a concentrar parte de sua atuação em saúde da mulher, inclusão, empreendedorismo e fiscalização.
Paralelamente ao mandato, assumiu a presidência estadual do PL Mulher, ampliando sua participação na articulação partidária em Mato Grosso do Sul.
Ana também carrega uma relação antiga de sua família com o bolsonarismo. Seu pai, Tenente Portela, é amigo de Jair Bolsonaro há cerca de 47 anos, e a vereadora mantém há anos proximidade política com integrantes da família do ex-presidente.
Esse conjunto ajudou a projetá-la para além de Campo Grande.
No lançamento oficial de sua campanha para deputada estadual, realizado simbolicamente em um dia 22, Ana reuniu, segundo a organização, mais de 2 mil apoiadores.


O ato contou com o presidente estadual do PL e ex-governador Reinaldo Azambuja, a deputada estadual e candidata a federal Mara Caseiro, Tenente Portela e outras lideranças.
Agora, com a campanha recebendo apoiadores e agendas de diferentes regiões do Estado, Ana tenta mostrar ao eleitor aquilo que pretende fazer com essa estrutura política caso seja eleita.
Saúde concentra sete propostas
Das 22 ações apresentadas, sete estão diretamente ligadas à saúde, área que ocupa a maior fatia do pacote.
A primeira é o Programa Mãe Sul-Mato-Grossense, voltado ao acompanhamento de gestantes, mães e recém-nascidos.
A proposta prevê rastreamento no SUS e acompanhamento médico na primeira semana após o parto.
Na apresentação da campanha, Ana afirma que a medida busca enfrentar índices de mortalidade materna e neonatal registrados no Estado.
Outra proposta é a criação de uma fila digital de regulação de UTI, acessível pelo celular.
A intenção apresentada é permitir que familiares acompanhem a posição do paciente e os critérios clínicos utilizados na regulação, aumentando a transparência do sistema e reduzindo espaço para interferências externas.
Autismo e atendimento no interior
No atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Ana propõe a instalação de polos regionais de neuropediatria.
A justificativa é enfrentar a demora para diagnósticos e permitir que crianças tenham acesso às terapias ainda nos primeiros anos de vida.
Também aparece no pacote a criação de atendimento psicológico específico para policiais e profissionais da saúde, com garantia de sigilo e suporte pós-trauma.
A proposta prevê ainda mecanismos para impedir que o servidor seja prejudicado profissionalmente por buscar ajuda psicológica.
Mães solo e doenças raras
O Programa Primeiros Laços pretende levar profissionais de saúde às residências de famílias em situação de maior vulnerabilidade.
O foco seria especialmente o atendimento de mães solo, com acompanhamento do desenvolvimento dos bebês e suporte à amamentação.
Para pacientes com doenças raras, Ana propõe uma “Via Rápida” dentro do SUS e um cartão estadual unificado destinado a facilitar diagnósticos e padronizar informações durante atendimentos de emergência.
A sétima ação da saúde mira o interior.
A proposta prevê incentivos tributários para estimular a doação de equipamentos de imagem e ampliar o acesso a especialistas em municípios menores.
Fronteira e tecnologia na segurança
Em segurança pública, uma das principais bandeiras apresentadas é o Programa Escudo Familiar.
O projeto pretende unir atuação policial contra o tráfico de drogas nos bairros, encaminhamento de jovens dependentes para tratamento e acompanhamento psicológico e jurídico das famílias.
Outro ponto é a Lei da Patrulha Segura, voltada para a extensa fronteira de Mato Grosso do Sul.
Ana propõe o uso de drones de longo alcance e outras tecnologias para auxiliar o monitoramento das regiões fronteiriças e combater o crime organizado.
Já o Programa Olho na Rua prevê câmeras com inteligência artificial e leitura automática de placas nas entradas e saídas dos municípios.
A ideia é criar uma rede integrada capaz de identificar veículos e auxiliar rapidamente na localização de suspeitos e rotas de fuga.
Educação, primeiro emprego e combate às drogas
A juventude também ocupa espaço importante nas 22 ações.
No Programa Futuro Certo, Ana propõe regionalizar novos polos de ensino superior de acordo com a vocação econômica de cada região.
Na prática, regiões ligadas ao turismo, indústria ou agronegócio teriam cursos voltados às próprias necessidades do mercado local.
Outra proposta é o Jovem Empreendedor do Agro, com microcrédito e capacitação tecnológica para filhos de pequenos produtores.
O objetivo é incentivar sucessão familiar no campo e reduzir a saída de jovens das propriedades rurais.
Primeiro emprego
A proposta chamada Primeiros Passos pretende estimular empresas a contratar jovens em seu primeiro emprego com carteira assinada.
Ana defende a criação de um selo estadual acompanhado de incentivos tributários para empresas participantes.
Também estão previstas ações específicas de prevenção ao suicídio entre crianças e adolescentes, incluindo capacitação de professores para reconhecer sinais de sofrimento psicológico e encaminhamento mais rápido para atendimento.
Drogas nas proximidades das escolas
Uma das propostas mais duras na área educacional é a Lei Infância Segura.
Ana pretende defender operações preventivas e repressivas contra o tráfico de drogas nas proximidades das escolas.
A campanha relaciona a proposta à preocupação com o contato precoce de crianças e adolescentes sul-mato-grossenses com entorpecentes.
Completa o bloco a criação de programas contínuos de esporte e musicalização dentro da rede estadual, com atividades durante todo o ano.
“Asfalto Padrão”
Na infraestrutura, Ana apresenta uma proposta que mira diretamente um problema recorrente dos municípios: obras recém-entregues que começam a apresentar defeitos.
A chamada Lei Asfalto Padrão prevê seguro-garantia e laudos técnicos para obras de pavimentação.
A empreiteira responsável por um serviço que apresente falhas seria obrigada, dentro das condições previstas pela futura legislação, a refazer a obra sem transferir novamente o custo ao contribuinte.
Também há uma proposta de incentivo à abertura de micro e pequenas empresas em municípios com menos de 50 mil habitantes, com redução progressiva de ICMS e acesso facilitado a crédito.
A terceira ação do setor é a criação de um Fundo Estadual de Saneamento para financiar esgoto e drenagem principalmente em pequenos municípios.
Mulheres ocupam bloco próprio
A agenda feminina, que já aparece no mandato municipal de Ana e em sua atuação como presidente do PL Mulher, ganhou um capítulo próprio dentro das 22 ações.
O primeiro projeto é uma versão estadual do Mulher Empreendedora.
A ideia é oferecer crédito e capacitação prioritariamente para mulheres vítimas de violência, com objetivo de romper a dependência econômica que muitas vezes dificulta a saída de relações abusivas.
Violência contra mulheres do campo
Ana também propõe a Patrulha Rural, com atuação especializada voltada à proteção de mulheres que vivem em fazendas, chácaras, assentamentos e outras áreas afastadas dos centros urbanos.
O objetivo é reduzir o tempo de resposta nos casos de violência doméstica em locais onde o acesso policial normalmente é mais difícil.
Tornozeleira e alerta para a vítima
Fecha o pacote o chamado Estatuto Dignidade e Justiça.
A proposta reúne mecanismos mais rígidos de proteção às vítimas de violência, incluindo monitoramento eletrônico com alerta tanto para a vítima quanto para as forças de segurança quando houver aproximação indevida do agressor.
O projeto divulgado pela candidata também prevê medidas patrimoniais contra agressores e restrições relacionadas à ocupação de funções públicas e participação em contratos com o Estado, que dependeriam de adequação constitucional e jurídica durante eventual tramitação.
De 22 propostas para um mandato estadual
A apresentação das propostas ocorre justamente quando Ana tenta convencer o eleitor de que sua candidatura é mais do que uma extensão de sua atuação política nas redes ou de sua ligação histórica com o bolsonarismo.
A estratégia passa agora por apresentar compromissos concretos.
Na Câmara, a vereadora já utiliza como cartão de visitas números como 14 leis sancionadas, mais de 90 projetos apresentados, milhares de atendimentos e indicações ao poder público, além da participação em fiscalizações e na CPI relacionada ao transporte coletivo.
Na disputa estadual, a pergunta muda.
Não é mais apenas o que Ana Portela fez como vereadora.
É o que ela pretende fazer se chegar à Assembleia.
As 22 ações surgem justamente como resposta.
Saúde materna, autismo, doenças raras, fronteira, tráfico de drogas, primeiro emprego, jovens do campo, pavimentação, empreendedorismo, saneamento e proteção às mulheres formam o pacote que a candidata decidiu apresentar ao eleitor.
Para Ana, o compromisso assumido nas redes é transformar essas bandeiras em atuação parlamentar.
E, em uma campanha na qual tenta transformar o crescimento conquistado em Campo Grande em votos de todo o Estado, as 22 ações passam a funcionar como a carta de compromissos de Ana Portela com os apoiadores que agora chegam de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.