Congresso aposta no comércio como instrumento de estabilidade global
O Congresso Nacional oficializou nesta terça-feira (17) o aguardado Acordo Mercosul-União Europeia, consolidando um dos maiores tratados comerciais entre blocos do mundo e colocando o Brasil, mais uma vez, no centro das articulações econômicas globais.
A promulgação do decreto legislativo contou com a assinatura dos senadores sul-mato-grossenses Tereza Cristina e Nelsinho Trad, que tiveram participação direta na construção, defesa e tramitação do acordo ao longo dos últimos anos. Coube a Tereza, inclusive, a leitura formal do termo durante a cerimônia.
Também assinaram o documento o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta — reforçando o peso institucional da medida.
Comércio como estratégia de poder
Em um cenário internacional marcado por tensões e conflitos, Alcolumbre adotou um tom que vai além da economia. Para ele, o tratado representa uma ferramenta de estabilidade global.
Segundo o senador, países que compartilham cadeias produtivas e interesses comerciais tendem a reduzir conflitos — uma visão que alinha o acordo não apenas como instrumento econômico, mas também geopolítico.
A leitura, no entanto, não passa despercebida nos bastidores: ao apostar no livre comércio como vetor de paz, o Congresso também envia um recado claro sobre o reposicionamento do Brasil no cenário internacional, em um momento de disputas entre grandes potências.
O maior acordo entre blocos
Presente na cerimônia, o vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou o caráter histórico da iniciativa. Ele classificou o tratado como o maior já negociado pelo Mercosul e destacou que o modelo de integração europeia serviu de inspiração para a América do Sul.
Na prática, o acordo envolve cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões — números que ajudam a dimensionar o impacto potencial da medida.
O texto prevê a redução gradual de tarifas comerciais ao longo de até 18 anos, além da criação de regras comuns para o comércio de produtos industriais, agrícolas e investimentos.
Entre o discurso e a realidade
Apesar do tom otimista, o acordo ainda carrega desafios relevantes. Setores produtivos brasileiros, especialmente da indústria, acompanham com cautela a abertura de mercado diante da competitividade europeia.
Por outro lado, o agronegócio — base econômica de Mato Grosso do Sul — tende a ser um dos principais beneficiados, o que ajuda a explicar o protagonismo de Tereza Cristina nas negociações.
Protagonismo político e capital eleitoral
Nos bastidores, a assinatura do acordo também tem leitura política. Ao assumir papel central em um tratado dessa magnitude, Tereza Cristina e Nelsinho Trad ampliam seu capital político em nível nacional — especialmente em um momento de reposicionamento de forças visando 2026.
Mais do que um avanço comercial, o Acordo Mercosul-União Europeia se consolida como uma vitrine de poder, influência e estratégia — dentro e fora do Brasil.