Contar lidera pesquisas, Pollon aposta em apoio de Bolsonaro e Gianni corre por fora
O Partido Liberal (PL) encerrou a janela partidária em Mato Grosso do Sul consolidando força política e, ao mesmo tempo, abrindo uma disputa interna intensa pelas duas vagas ao Senado nas eleições de 2026.
Nos bastidores e publicamente, há pouca dúvida sobre a primeira vaga. O ex-governador e atual presidente estadual do partido, Reinaldo Azambuja, é tratado como o “candidato 01” da sigla. Não apenas pelo protagonismo na condução do partido no Estado, mas também pelo que já foi sinalizado em eventos recentes, especialmente no ato de filiação promovido pelo PL na última semana, onde sua candidatura foi praticamente naturalizada entre lideranças e aliados.
Se a primeira vaga tem dono, a segunda é terreno de disputa aberta.
Hoje, o nome mais bem posicionado é o do ex-deputado estadual Capitão Contar. Segundo apuração do O Contribuinte, ele lidera as pesquisas internas que devem balizar a escolha final do partido. Contar, que ganhou projeção ao disputar o governo do Estado em 2022 e chegar ao segundo turno contra Eduardo Riedel (PP), surpreendeu recentemente ao comparecer ao evento de filiação do PL e posar ao lado de antigos adversários.
O gesto não passou despercebido. Quando deputado estadual, entre 2018 e 2022, Contar foi um dos principais opositores de Reinaldo Azambuja, chegando a protocolar pedido de impeachment contra o então governador. A reaproximação, agora, é vista como pragmática e estratégica, dentro de um cenário onde alianças são redesenhadas com foco em 2026.
Outro nome forte na disputa é o deputado federal Marcos Pollon. Ele tenta crescer ancorado no apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pollon tem em mãos uma carta assinada por Bolsonaro, posteriormente divulgada por Michelle Bolsonaro, na qual é apontado como o candidato ao Senado pelo PL. O documento foi enquadrado e passou a ser utilizado como símbolo político em sua pré-campanha.
Além disso, Pollon conta com a simpatia pública da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, considerada peça-chave para alavancar candidaturas no campo conservador. No entanto, nem tudo joga a seu favor.
O deputado enfrenta um problema delicado no campo pessoal que pode ter reflexos políticos. De acordo com apuração do O Contribuinte, Pollon está separado de Naiane Bittencourt, atual presidente estadual do PL Mulher em Mato Grosso do Sul. A ausência de aliança no evento nos últimos eventos do partido e relatos de clima tenso em eventos públicos recentes reforçam a percepção de desgaste.
Fontes ouvidas pela reportagem relataram que, em um encontro recente, a chegada de Pollon gerou desconforto visível em Naiane. O episódio acendeu o alerta dentro do partido, sobretudo porque Naiane foi lançada por Michelle Bolsonaro como pré-candidata à Câmara Federal.
O cenário cria uma equação complexa: Pollon depende do apoio de Michelle para viabilizar sua candidatura ao Senado, mas, diante do conflito pessoal, cresce a dúvida sobre qual lado a ex-primeira-dama irá priorizar. Há, nos bastidores, questionamentos sobre a possibilidade de Pollon perder espaço político, enquanto Naiane pode consolidar sua candidatura, sejja federal ou até recuar para uma disputa estadual.
Correndo por fora está Gianni Nogueira. Embora mantida como pré-candidata ao Senado, ela aparece como alternativa menos competitiva no momento. Ainda assim, segue no radar e, segundo apuração, também recebeu convite para disputar uma vaga de deputada estadual pelo partido, o que pode redefinir seu papel na eleição.
A definição oficial da segunda vaga ainda está distante. O acordo firmado entre Reinaldo Azambuja e a cúpula nacional do PL é de que a escolha será baseada em pesquisas, critério que, neste momento, favorece Capitão Contar.
Até a convenção partidária, no entanto, o cenário segue aberto. Em política, especialmente em um partido que cresce em tamanho e influência, alianças podem ser refeitas, apoios podem mudar de direção e conflitos internos podem redefinir candidaturas.
Por ora, o PL encerra a janela partidária fortalecido numericamente, com a maior bancada da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, somando sete deputados estaduais. Mas, ao mesmo tempo, carrega uma disputa interna que promete ser um dos principais enredos políticos rumo a 2026.