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Comentário irônico publicado antes da vida política pode impedir candidatura de Rafael Tavares em 2026

Vereador pretendia disputar uma vaga de deputado federal após se consolidar como o bolsonarista mais votado da Capital.

O vereador Rafael Tavares (PL), de Campo Grande, pode enfrentar um novo revés em sua trajetória política. Após ter o último recurso negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a condenação criminal decorrente de uma publicação feita nas redes sociais em 2018 poderá impedir sua participação nas eleições de 2026.

Caso a inelegibilidade seja confirmada pela Justiça Eleitoral no momento do registro de candidatura, Tavares ficará impedido de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, projeto político que vinha sendo construído após se tornar o bolsonarista mais votado de Campo Grande nas eleições municipais de 2024.

O episódio remonta ao período eleitoral de 2018, quando Rafael ainda não exercia mandato eletivo e atuava como ativista do então movimento Endireita CG, que posteriormente se transformaria no Endireita MS e, mais tarde, no MS Conservador, atualmente o maior grupo de direita de Mato Grosso do Sul.

A condenação teve origem em uma publicação feita durante uma discussão nas redes sociais. A defesa sustentou ao longo do processo que o texto era uma ironia destinada a ridicularizar acusações feitas por adversários políticos contra apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.

Segundo os advogados, a intenção da publicação seria justamente expor, de forma satírica, aquilo que consideravam exageros e narrativas atribuídas aos eleitores da direita naquele momento político. Essa tese, entretanto, não foi acolhida pelo Judiciário.

Em seu último recurso, Rafael buscava reverter a condenação, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, encerrando as possibilidades de discussão do caso na esfera recursal.

Possível impacto eleitoral

Caso a condenação produza os efeitos previstos na legislação eleitoral, Rafael Tavares poderá ficar impedido de disputar as eleições de 2026. O parlamentar pretendia concorrer ao cargo de deputado federal e era apontado por aliados como um dos principais nomes da direita sul-mato-grossense para a disputa.

O possível impedimento ocorre depois de outro episódio marcante em sua trajetória política: em 2024, Rafael perdeu o mandato de deputado estadual em decorrência da recontagem dos quocientes eleitorais, permanecendo posteriormente na Câmara Municipal de Campo Grande após ser eleito vereador.

Defesa sustenta contexto de ironia

Desde o início do processo, a defesa afirma que a publicação foi retirada de seu contexto e que se tratava de uma manifestação claramente irônica durante um ambiente de intensa polarização política.

O comentário foi publicado em resposta a um debate nas redes sociais e fazia referência às acusações dirigidas contra apoiadores de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial daquele ano.

Apesar desse argumento, a Justiça entendeu que o conteúdo extrapolou os limites da liberdade de expressão e configurou crime de ódio, resultando na condenação do hoje vereador.

Veja o comentário irônico que motivou a condenação de Rafael Tavares:

“Não vejo a hora do Bolsonaro vencer as eleições e eu comprar meu pedaço de caibro para começar meus ataques. Ontem nas ruas de todo o país vi muitas famílias, mulheres e crianças destilando seus ódios pela rua, todos sedentos por um apenas um pedacinho de caibro pra começar a limpeza étnica que tanto sonhamos! Já montamos um grupo no whatsapp e vamos perseguir os gays, os negros, os japoneses, os índios e não vai sobrar ninguém. Estou até pensando em deixar meu bigode igual do hitler. Seu candidato coroné não vai marcar dois dígitos nas urnas, vc já pensou no seu textão do face pra justificar seu apoio aos corruptos no segundo turno?”.