Após mais de um mês de apuração das urnas, Keiko Fujimori, enfim, foi oficializada como a nova presidente da República do Peru. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (3) pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), órgão máximo das eleições no país. Saiba mais sobre a nova mandatária da direita nas Américas.
A direitista assume o cargo em meio a uma grande instabilidade política. Nos últimos anos, todos os mandatários foram destituídos por escândalos de corrupção e má conduta ou assumiram interinamente o cargo máximo do Poder Executivo.
Após três derrotas consecutivas em disputas presidenciais, Keiko Fujimori reverteu o histórico de segundo lugar. O resultado encerra um ciclo de mais de 15 anos de tentativas da candidata de alcançar o cargo mais importante da nação.
Aos 51 anos, a administradora formada nos Estados Unidos atua na política desde a juventude. Em 2006, Keiko ingressou no Legislativo ao ser eleita para o Congresso com a maior votação já registrada na história do país para um cargo parlamentar.
A trajetória da presidente eleita também inclui o campo judicial. Keiko passou quase um ano e meio em prisão preventiva devido a investigações sobre suposto financiamento irregular de campanha, caso que foi totalmente arquivado no ano passado.
Durante a campanha, a candidata focou no discurso de ordem diante do avanço da violência e dos homicídios no país. A plataforma gerou no eleitorado uma nostalgia das ações de seu pai, Alberto Fujimori, que combateu grupos guerrilheiros na década de 1990.
Keiko prometeu leis antiterroristas rígidas e o uso das Forças Armadas no combate ao crime. Apesar do alinhamento com a postura firme do pai, o partido Força Popular buscou diferenciá-los, promovendo a imagem da nova líder como uma opção mais democrática.
A estratégia reduziu a rejeição ao seu nome, que caiu de 59% no primeiro turno para 40% antes da votação final, segundo institutos de pesquisa. O recuo foi decisivo para atenuar a resistência histórica de parte da população e viabilizar a vitória nas urnas.
No poder, o principal desafio de Keiko será estabilizar o país, que teve oito presidentes desde 2016. Para governar, ela buscará o apoio das forças de direita, que juntas somam maioria no Legislativo, com 30 cadeiras no Senado e 63 na Câmara dos Deputados.