Em nota de repúdio, CIMEB afirma que não existe iniciativa de líderes religiosos para cancelar feriados ou cultos no Brasil.
O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB) divulgou nesta segunda-feira (28) uma nota de repúdio à repercussão do boato de que Flávio Bolsonaro (PL) pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A entidade, que afirma reunir mais de 10 mil pastores, acusa o presidente Lula (PT) e seus apoiadores de explorar a informação na campanha eleitoral e estimular um conflito entre católicos e evangélicos. A acusação é do conselho.
“Evangélicos e católicos vivem em paz”, afirma a nota enviada ao O Contribuinte. O documento acrescenta que não existe iniciativa de líderes evangélicos, junto a qualquer candidatura, para cancelar feriados ou cultos de outra religião.
A manifestação ocorre após a circulação de publicações que associaram Flávio a uma suposta proposta contra o título de Nossa Senhora Aparecida e o feriado de 12 de outubro. O candidato negou defender a medida. A proposta que voltou a ser mencionada na discussão foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli e arquivada em 2008. Flávio não foi autor do projeto.
Na nota, o CIMEB afirma repudiar “a utilização de uma fake news por Lula e seus seguidores para atingir um adversário político” e diz considerar ainda mais grave a possibilidade de provocar uma “guerra religiosa entre católicos e evangélicos”. A entidade encerra o texto com a mensagem: “Deus abençoe o Brasil!”.
Disputa chegou à Justiça
A campanha de Flávio Bolsonaro levou o caso à Justiça Eleitoral. Em decisão provisória, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que apresentavam como verdadeira a alegação de que o candidato pretendia acabar com o título da padroeira. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a ordem de remoção em relação à postagem do humorista Antonio Tabet e a outras publicações excluídas pelo mesmo fundamento, citando a proteção à liberdade de expressão. As decisões tratam dos limites para retirar conteúdo das redes durante a campanha; não demonstram que Flávio tenha apresentado a proposta atribuída a ele.
A nota do CIMEB é assinada por Silas Malafaia, César Augusto, Robson Rodovalho, Estevam Hernandes, Samuel Câmara, Galdino Júnior, Jabes de Alencar, Teó Hayashi, Cláudio Duarte, Luiz Hermínio, Ezequiel Teixeira, Paulo Roberto, Marcus Gregório e Simonton Araújo.
A poucos dias do primeiro turno, o conselho pede que diferenças religiosas não sejam transformadas em instrumento de disputa eleitoral. A campanha de Lula poderá se manifestar sobre as acusações feitas pela entidade.
