Após reunião, sindicato endurece tom e ameaça paralisação: “Só aceitamos pagamento integral, 13º e vale”
Em entrevista exclusiva ao Portal O Contribuinte na tarde desta segunda-feira (8), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande, Demétrio Ferreira de Freitas, confirmou que o Consórcio Guaicurus declarou não ter dinheiro em caixa para pagar o salário dos motoristas e cobradores, nem o 13º salário e nem mesmo o vale, agravando uma crise que já dura dois meses.
Segundo Demétrio, a categoria será convocada para uma assembleia na próxima quinta-feira, quando será discutida a possibilidade de paralisação geral envolvendo mais de 1.100 trabalhadores.
Aspas de Demétrio de Freitas
“Acabamos a reunião agora com o consórcio e vamos avisar que realmente não tem dinheiro pra pagar. Com isso, a gente está soltando o edital. Uma arma que a gente tem aí é a paralisação. Vamos estar chamando a categoria na quinta-feira pra discutir.”
“Daqui pra frente, a gente só aceita o pagamento integral: pagamento, décimo terceiro e o adiantamento que é dia vinte, tudo junto. Não adianta discutir só o pagamento e daqui poucos dias ter o mesmo problema. Só aceitamos os três vencimentos.”
A reunião ocorreu nesta segunda-feira.
CPI expõe má gestão, atrasos e práticas suspeitas
A crise financeira do consórcio vem à tona justamente ao final da CPI do Transporte Coletivo, concluída na Câmara Municipal. O relatório final, assinado pela relatora vereadora Ana Portela, pediu o indiciamento de diretores do Consórcio Guaicurus após a comissão identificar:
– frota vencida, com ônibus circulando fora do prazo de utilização;
– má gestão operacional e administrativa;
– uso recorrente da Justiça para retardar processos, descumprir prazos e postergar obrigações contratuais;
– irregularidades contratuais diversas;
– possíveis desvios de recursos públicos e indícios de corrupção, que agora seguirão para apuração do Ministério Público.
O relatório foi assinado por Ana Portela, pelo presidente da CPI, Dr. Lívio, e pelos vereadores Júnior Coringa e Luiza Ribeiro.
O único a não assinar foi Maicon Nogueira, embora o parlamentar tenha afirmado concordar “em 97%” do conteúdo. Ainda assim, Maicon entregou ao Ministério Público um pedido de indiciamento no CPF do ex-diretor do consórcio, João Resende.
Constantino não compareceu à CPI
Apontado como o “chefão” do transporte coletivo, Paulo Constantino, um dos principais nomes do Consórcio Guaicurus, não compareceu à CPI quando convocado, apresentando um atestado para justificar a ausência.
Ações na Justiça pedem intervenção no consórcio
Além da CPI, duas ações recentes aumentam a pressão para que a Justiça determine intervenção no Consórcio Guaicurus:
Luso de Queiroz, ex-candidato a prefeito de Campo Grande, entrou com ação popular pedindo intervenção judicial imediata no consórcio — informação divulgada em primeira mão pelo Portal O Contribuinte clique aqui.
O próprio vereador Maicon Nogueira também protocolou uma petição pedindo a mesma medida. Ele iniciou a coleta de 50 mil assinaturas da população para demonstrar apoio social à intervenção. Assine aqui!
Crise financeira e isenções
Mesmo após receber, ao longo dos últimos anos, milhões em isenções fiscais, o Consórcio Guaicurus não tem conseguido honrar compromissos com os trabalhadores desde outubro. O sindicato afirma que os atrasos colocam em risco a sobrevivência de centenas de famílias e que a paciência da categoria chegou ao limite.
A possível paralisação prevista para quinta-feira poderá afetar todo o sistema de transporte público de Campo Grande, caso o consórcio não apresente uma solução.