Caminhada liderada por Nikolas virou termômetro do bolsonarismo e expôs quem colocou o corpo na rua
A caminhada por Justiça e Liberdade, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), não apenas mobilizou milhares de apoiadores em Brasília como também começou a redesenhar o tabuleiro político do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul. A ausência do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) no ato contrastou diretamente com a presença ativa de Capitão Contar (PL) e da Gianni Nogueira(PL), que participaram da mobilização e capitalizaram politicamente o evento.
Idealizada por Nikolas Ferreira, a caminhada teve como propósito central “acordar o Brasil”, além de pedir a soltura dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ato também foi marcado por críticas diretas à atuação política do Supremo Tribunal Federal e por um discurso de enfrentamento institucional, que encontrou forte adesão popular.
A mobilização bateu recorde de público e consolidou Nikolas Ferreira, aos 29 anos, como o principal nome do campo conservador no país. A liderança exercida pelo parlamentar foi reconhecida inclusive por figuras históricas da direita brasileira, culminando na presença do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no ato realizado no domingo, em Brasília.
Quem foi à rua saiu na frente
Em Mato Grosso do Sul, a caminhada funcionou como um divisor de águas. Contar e Gianni não apenas participaram da mobilização como também fizeram diversas publicações ao lado de Nikolas Ferreira, de parlamentares conservadores e de influenciadores ligados à direita. O engajamento nas redes sociais foi expressivo, ampliando alcance, visibilidade e identificação com o eleitorado bolsonarista.
Enquanto isso, Reinaldo Azambuja cumpriu agenda no interior do Estado e optou por não participar nem da caminhada nem do ato em Brasília. Presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado, o ex-governador manteve silêncio sobre a mobilização. As razões para a ausência seguem em aberto.
Nos bastidores, a leitura é clara: em um momento de forte mobilização ideológica, quem colocou o corpo na rua ganhou vantagem política. A caminhada se tornou um termômetro de alinhamento com o bolsonarismo raiz e Reinaldo ficou fora desse retrato.
Disputa pelo Senado esquenta no PL
A disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026 já está em curso dentro do Partido Liberal. A direção nacional sinaliza que pretende repetir o modelo adotado em outros estados, lançando dois nomes competitivos. Em Mato Grosso do Sul, os nomes colocados até agora são Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
No entanto, segundo apuração do Portal O Contribuinte, Reinaldo trabalha nos bastidores para evitar a dobradinha. O ex-governador defende que apenas seu nome seja lançado pelo PL, abrindo a segunda vaga para um aliado do chamado “grupão”, que envolve partidos que dão sustentação política ao governador Eduardo Riedel (PP).
Já Capitão Contar conta com respaldo direto de Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro, que foram responsáveis por sua filiação ao partido. A presença na caminhada reforçou esse alinhamento com a cúpula nacional e com o bolsonarismo mais mobilizado.
Gianni pode buscar outro partido
Gianni Nogueira, por sua vez, já afirmou publicamente, em entrevista ao programa Hora do Contribuinte, que, caso não encontre espaço no PL, poderá disputar o Senado por outro partido de direita. A estratégia segue o modelo adotado por nomes como Caroline De Toni, em Santa Catarina, que migraram de legenda para viabilizar a candidatura.
Na avaliação de Gianni, as duas vagas ao Senado em 2026 têm grandes chances de ficar com nomes ligados diretamente ao bolsonarismo e à direita conservadora. Por isso, a presença em atos de rua, como a caminhada liderada por Nikolas Ferreira, é vista como fundamental para consolidar apoio popular e político.
Bolsonarismo em disputa
Até março, quando o PL deve definir seu desenho eleitoral em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, Gianni Nogueira e Capitão Contar seguem como pré-candidatos, disputando o mesmo nicho eleitoral. A caminhada por Justiça e Liberdade não encerrou o jogo, mas deixou um recado claro: no bolsonarismo, presença conta e ausência cobra preço.