Ministério Público apura contratos firmados entre 2022 e 2023; empresas pertencem aos mesmos sócios e uma delas tem sede declarada em casa sem identificação comercial.
A Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) está no centro de uma investigação do Ministério Público Estadual (MPMS) após a abertura de inquérito civil para apurar dois contratos que somam R$ 1.502.944,07.
Os contratos foram firmados entre julho de 2022 e outubro de 2023 com duas empresas de Campo Grande que possuem os mesmos sócios: Diego de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa.
O que chama atenção é que, além da coincidência societária, uma das empresas investigadas tem sede registrada em um imóvel residencial sem qualquer identificação empresarial, na Vila Planalto, em Campo Grande.
Os contratos investigados
Segundo dados do Portal da Transparência do Sistema Fiems:
Souza Alves & Cia Ltda. – EPP (Multifer)
Julho/2022: R$ 641.978,17 (materiais elétricos)
Dezembro/2022: R$ 455.965,90 (EPIs)
Total: R$ 1.097.943,00
Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda.
Outubro/2023: R$ 405.000,00 (materiais elétricos para o Senai)
As duas empresas têm como principal atividade o comércio de ferragens e ferramentas e compartilham o mesmo quadro societário.
O inquérito foi instaurado em 9 de fevereiro de 2025 pelo promotor Humberto Lapa Ferri. O processo tramita sob sigilo.
Sede registrada em casa fechada
Reportagem esteve no endereço cadastrado como sede da Multifer e encontrou um imóvel residencial fechado, sem qualquer identificação empresarial. A campainha foi tocada, mas ninguém atendeu.
Os sócios afirmaram que houve “confusão com o CNPJ” e que a operação funciona atualmente na filial, localizada na Vila Glória. Segundo eles, o CNPJ da matriz não pode ser cancelado devido a contratos ativos vinculados à filial.
Eles alegam que o número fiscal da matriz não é movimentado há mais de 12 anos.
Recursos e questionamentos
Apesar de a Fiems não ser órgão público, a entidade recebe recursos vinculados ao Sistema S, que têm natureza pública. Isso levanta questionamentos sobre fiscalização e transparência na aplicação dos valores.
O caso também começa a ganhar repercussão política na Assembleia Legislativa, onde parlamentares discutem a possibilidade de abertura de CPI.
O Portal O Contribuinte seguirá acompanhando o caso.