Receita Federal aponta repasses de R$ 80 milhões sem descontos, apesar de justificativa de “abatimento de honorários”
Dados da Receita Federal obtidos no âmbito da CPI do Crime Organizado abriram uma nova frente de questionamentos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Segundo as informações levantadas, o Banco Master declarou pagamentos ao escritório de Viviane que somam R$ 80.223.653,84, distribuídos em 22 parcelas mensais de R$ 3.646.529,72 — valores que, de acordo com o contrato, corresponderiam à remuneração integral pelos serviços prestados.
O ponto que chama atenção está na comparação entre esses dados e a justificativa apresentada anteriormente pela defesa. Após reportagens indicarem que Moraes e sua esposa teriam realizado ao menos oito viagens em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, Viviane afirmou, em nota, que os voos teriam sido compensados por meio de “abatimento de honorários”.
No entanto, os valores declarados pelo Banco Master à Receita não indicam qualquer desconto nas parcelas pagas ao escritório, o que levanta dúvidas sobre a compatibilidade entre a explicação apresentada e os registros fiscais.
Levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta ainda que os voos realizados pelo casal poderiam alcançar custo superior a R$ 1 milhão no mercado de táxi aéreo, valor que, até o momento, não aparece discriminado como dedução em nenhum dos pagamentos identificados.
Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre a natureza dessas viagens e a eventual existência de contrapartidas não formalizadas nos registros financeiros. Especialistas ouvidos em casos semelhantes costumam destacar que benefícios indiretos, quando não declarados ou compensados, podem suscitar dúvidas sobre transparência e eventuais conflitos de interesse — especialmente quando envolvem agentes públicos de alta relevância.
A relação entre Moraes, sua esposa e o empresário Daniel Vorcaro também passa a ser observada sob maior escrutínio, diante da possibilidade de uma proximidade que ultrapasse vínculos estritamente profissionais.
Até o momento, não há manifestação pública detalhada que esclareça a aparente divergência entre os dados fiscais e a justificativa de abatimento apresentada anteriormente.
O caso deve permanecer no radar político e jurídico, com potencial de novos desdobramentos à medida que mais informações forem analisadas pela CPI e por órgãos de controle.