O diretor de Operações do Consórcio Guaicurus, Paulo Vitor Brito de Oliveira, revelou à CPI da Câmara Municipal de Campo Grande que a frota de ônibus das empresas possui 97 veículos com idade superior ao limite estipulado pelo contrato com a prefeitura para a prestação dos serviços de transporte coletivo. Atualmente, a idade média da frota é de oito anos, enquanto o contrato exige um máximo de cinco anos para a idade dos ônibus.
No mês passado, a Prefeitura de Campo Grande determinou que o Consórcio Guaicurus retirasse de circulação 98 ônibus que excedem a idade permitida. As empresas têm até 30 dias para substituir esses veículos, conforme a determinação da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos). Contudo, Paulo Oliveira afirmou que a decisão ainda cabe recurso e destacou que o processo de compra de novos ônibus pode levar entre 120 e 180 dias.
“Um ônibus não é um produto de prateleira. Você precisa comprar o chassi e depois mandar encarroçar. Não se consegue um ônibus novo em menos de 120 a 180 dias”, explicou o diretor. Ele também apontou que o desequilíbrio financeiro do contrato dificulta os investimentos necessários para a renovação da frota.
Paulo Oliveira atribuiu parte dos problemas operacionais enfrentados pelo sistema de transporte à má qualidade da malha viária da Capital. Segundo ele, os buracos nas vias causam danos diretos aos elevadores de acessibilidade dos ônibus. “Quando o ônibus passa por um buraco, ele sofre uma torsão, o que pode desajustar o elevador, que depende de ajustes milimétricos para funcionar corretamente”, afirmou. Ele destacou que todos os elevadores saem da garagem funcionando, mas que o motorista realiza um checklist para garantir o funcionamento, que pode ser comprometido por problemas nas vias.
O diretor também relatou uma drástica queda nos resultados financeiros do Consórcio Guaicurus, que passou de um lucro de R$ 600 mil em 2022 para um prejuízo de quase R$ 5 milhões em 2023, apesar da redução moderada no número de passageiros. No ano passado, o total arrecadado foi de R$ 30,5 milhões, com R$ 11 milhões em gratuidades. Já em 2023, os valores caíram para R$ 29,5 milhões, com R$ 12 milhões em gratuidade.
Ele explicou que o transporte público tem perdido passageiros, já que muitos preferem ganhar tempo e chegar mais rápido em casa, já que a velocidade média dos ônibus é de apenas 17 km/h. Atualmente, 417 veículos operam diariamente de segunda a sexta-feira, e aos fins de semana, cerca de 60% da frota ainda circula normalmente.
Sobre a situação financeira do Consórcio Guaicurus, Paulo Oliveira afirmou que os desafios enfrentados não se limitam à queda no número de passageiros. Segundo ele, o valor da tarifa também não é adequado para cobrir os custos operacionais, o que agrava ainda mais a situação financeira da empresa.