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De olho em 2026, Novo articula chapa majoritária e mira Catan, Polon e Gianni

Legenda trabalha para lançar candidato ao governo e ao Senado e mira nomes da direita que hoje enfrentam limitações internas no PL

De olho nas eleições de 2026, o Partido Novo em Mato Grosso do Sul intensificou as articulações para montar uma chapa majoritária competitiva e ampliar sua presença no cenário político estadual. Apuração do Portal O Contribuinte indica que a legenda se movimenta para atrair nomes do campo da direita, que hoje, enfrentam limitações internas no Partido Liberal (PL) e podem não encontrar espaço para projetos mais ambiciosos no próximo pleito.

Entre os nomes que passaram a orbitar o radar do Novo estão o deputado estadual João Henrique Catan, o deputado federal Marcos Polon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira. Cada um deles vive, por razões distintas, um momento de indefinição política que pode abrir caminho para uma migração partidária.

Governo do Estado: PL fecha portas e Novo vira alternativa

Tanto João Henrique Catan quanto Marcos Polon defendem publicamente, há tempos, a necessidade de uma candidatura do PL ao governo do Estado em 2026. No entanto, conforme o Contribuinte vem apurando, essa possibilidade já está descartada a nível nacional.

O martelo foi batido em uma articulação que envolve o ex-governador Reinaldo Azambuja, o atual governador Eduardo Riedel (PP) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O acordo sela o alinhamento do PL com o projeto de reeleição de Riedel, fechando espaço para uma candidatura própria da legenda ao Executivo estadual.

Com isso, o que sobra para parlamentares como Catan e Polon, que desejam disputar o governo, é buscar outro partido, e o Novo surge como o principal destino possível.

Novo confirma plano de lançar chapa majoritária

Em conversa exclusiva com o Portal O Contribuinte, o presidente estadual do Partido Novo, Guto Scarpanti, confirmou que a legenda trabalha com absoluta convicção para lançar candidato ao governo e ao Senado em 2026.

“O Novo sempre vai estar aberto para pessoas com mandato ou sem mandato que defendam os princípios e valores do partido: liberdade, livre mercado, propriedade privada, direitos e deveres iguais para todos, combate à corrupção e combate aos privilégios da vida pública. Qualquer um que defenda esses valores é muito bem-vindo ao Novo”, afirmou.

Segundo ele, dentro dessa análise, nomes como João Henrique Catan, Marcos Polon e Gianni Nogueira se enquadram perfeitamente no perfil buscado pela sigla.

“Dentro da nossa análise, quem faz essa defesa aí se encontra o João Henrique Catan, o Marcos Polon. Posso falar da Gianni Nogueira também, acho bem válido, sim”, completou.

Catan e Polon à frente no projeto majoritário

Nos bastidores, Catan e Polon aparecem, hoje, à frente no projeto majoritário do Novo, especialmente na disputa pelo governo do Estado.

No PL, a situação de ambos é semelhante. João Henrique Catan tende a ter como único caminho a reeleição para a Assembleia Legislativa, uma vez que a chapa para deputado federal já estaria praticamente fechada dentro do partido. Já Marcos Polon vive um dilema político mais complexo.

No ano passado, Polon lançou sua esposa, Naiane Bittencourt, como pré-candidata a deputada federal. Para 2026, ele terá que decidir entre disputar a reeleição ou buscar um novo projeto político. No Novo, abre-se uma alternativa estratégica: Polon poderia concorrer ao governo do Estado, enquanto Naiane disputaria uma vaga na Câmara Federal pela própria legenda, que pretende montar chapas competitivas tanto para deputado estadual quanto federal.

Senado: Gianni enfrenta disputa interna no PL

No caso de Gianni Nogueira, o cenário é ainda mais delicado. Filiada ao PL e apoiada publicamente por Jair Bolsonaro no ano passado, ela trava uma batalha silenciosa nos bastidores pela vaga ao Senado.

A disputa envolve o ex-deputado Capitão Contar e também o possível segundo nome do chamado “blocão” liderado por Reinaldo Azambuja. O problema é que Reinaldo ainda não bateu o martelo sobre lançar dois candidatos ao Senado pelo seu grupo político.

Apuração do Contribuinte indica que Azambuja não deseja ocupar as duas vagas da chapa com o PL. A tendência é que apenas um nome do partido dispute o Senado, abrindo espaço para que a segunda vaga fique com partidos aliados. Nesse contexto, surgem o PP, que tem pré-candidatos, e o PSD, que deve apoiar a reeleição do senador Nelsinho Trad.

Além disso, outros nomes começam a aparecer no radar, como o do secretário Jaime Verruck, um dos auxiliares mais próximos do governador Eduardo Riedel, o que aumenta ainda mais a concorrência e reduz o espaço para Gianni dentro do PL.

Novo como caminho natural para Gianni

Diante desse cenário, o Partido Novo passa a ser visto como o caminho mais viável para Gianni Nogueira disputar o Senado em 2026. A estratégia se alinha a um movimento nacional do bolsonarismo que vem migrando para o Novo em busca de maior autonomia e protagonismo.

Exemplos disso são o deputado Marcel van Hattem, que deve disputar o Senado pelo Novo no Rio Grande do Sul, e Caroline De Toni, que também deve migrar para a legenda com o mesmo objetivo. Gianni poderia seguir essa trilha, mantendo seu capital político, o vínculo com o eleitorado conservador e uma candidatura viável ao Senado.

Janela partidária e prazo interno

Segundo Guto Scarpanti, o prazo final para essas definições é a janela partidária, mas o Novo trabalha para antecipar o máximo possível essas decisões.

“O último prazo que a gente pode aguardar é a janela partidária, mas o Novo gostaria de definir o quanto antes esses nomes. A gente quer, sim, um governador e um senador, para que o próprio postulante tenha mais tempo de trabalhar, alcançar seus eleitores e ter sucesso no pleito”, afirmou.

O dirigente reforçou que, já entre janeiro e fevereiro, o partido pretende intensificar a organização interna com foco total em 2026.

“É uma certeza que o Partido Novo vai lançar candidato ao governo e candidato ao Senado”, concluiu.

Novo se posiciona como alternativa à direita

Com esse movimento, o Partido Novo busca se consolidar como uma alternativa clara para a direita sul-mato-grossense que se sente engessada em alianças pragmáticas e acordos de cúpula. Ao abrir as portas para nomes com mandato, visibilidade e lastro eleitoral, a legenda tenta ocupar um espaço que tende a crescer à medida que 2026 se aproxima.