Preso pela segunda vez no âmbito da Operação Tromper, o ex-secretário de Finanças de Sidrolândia, Claudinho Serra (PSDB), tenta alterar o rumo do processo que o aponta como chefe de um esquema milionário de corrupção no município. A defesa ingressou com pedido para que o caso deixe de ser julgado pelo juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva — o mesmo magistrado que determinou sua prisão preventiva em junho.
O argumento apresentado pelo advogado Tiago Bunning é de que o processo não deveria tramitar em Sidrolândia, mas sim em uma das varas criminais de Campo Grande. A solicitação se baseia em dispositivo do regimento do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que estabelece a competência da Capital para analisar medidas cautelares, como prisões preventivas, quando requisitadas por órgãos de combate ao crime organizado, a exemplo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).
Caso o pedido seja aceito, um novo juiz assumiria o caso, com possibilidade de reavaliar todas as decisões anteriores, incluindo a prisão de Serra. Paralelamente, a defesa tenta anular provas obtidas nas quebras de sigilo e nas buscas e apreensões realizadas na 4ª fase da operação, argumentando que seriam ilícitas e contaminariam as demais evidências e atos processuais subsequentes.
O que é a Operação Tromper
Deflagrada em várias etapas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a Operação Tromper investiga um grupo acusado de fraudar licitações e contratos da Prefeitura de Sidrolândia, desviando recursos públicos para benefício dos envolvidos.
Na 4ª fase, realizada em 5 de junho, o Gaeco e o Gecoc cumpriram três mandados de prisão e 29 de busca e apreensão, mirando mais de 20 pessoas ligadas à administração municipal. Além de Claudinho Serra, foram presos seu assessor Carmo Name Júnior e o empreiteiro Cleiton Nonato Correia, dono da GC Obras.
As investigações também atingiram familiares do político. Seu pai, Cláudio Jordão de Almeida Serra, e sua esposa, Mariana Camilo de Almeida Serra — filha da ex-prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo — foram indiciados. O MPMS aponta Serra como mentor e articulador do esquema, responsável por cooptar servidores e direcionar contratos para empresas aliadas.
Réus na 4ª fase da Operação Tromper:
- Claudinho Serra (preso) – apontado como chefe do esquema;
- Cláudio Jordão de Almeida Serra – pai de Claudinho;
- Mariana Camilo de Almeida Serra – esposa de Claudinho;
- Carmo Name Júnior (preso) – assessor de Claudinho;
- Jhorrara Souza dos Santos Name – esposa de Carmo Name;
- Cleiton Nonato Correia (preso) – empreiteiro, dono da GC Obras;
- Thiago Rodrigues Alves – apontado como intermediário de propina;
- Jéssica Barbosa Lemes – esposa de Thiago;
- Valdemir Santos Monção (Nanau) – ex-assessor parlamentar;
- Sandra Rui Jacques – empresária e esposa de Nanau;
- Edmilson Rosa – empresário;
- Ueverton da Sila Macedo (Frescura) – empresário;
- Juliana Paula da Silva – esposa de Ueverton;
- Rafael de Paula da Silva – cunhado de Ueverton.