Advogados afirmam que celular ainda está lacrado, mas mensagens já aparecem na imprensa citando autoridades e até Alexandre de Moraes.
O escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou um novo capítulo em Brasília. A defesa do empresário apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja aberta uma investigação sobre o vazamento de informações do celular apreendido pela Polícia Federal.
Segundo os advogados, mensagens que estariam armazenadas no aparelho passaram a circular na imprensa nos últimos dias, incluindo “conversas íntimas” e supostos diálogos com autoridades, entre elas o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O ponto central levantado pela defesa é que, apesar de ter sido realizado o espelhamento do conteúdo do celular, o aparelho ainda estaria lacrado e não teria sido formalmente aberto, o que levanta questionamentos sobre como essas informações chegaram ao conhecimento público.
Mensagens citam Moraes e autoridades
Em nota encaminhada ao Supremo, os advogados afirmam que diversas mensagens supostamente extraídas do aparelho começaram a ser divulgadas por veículos de comunicação, mesmo antes de a própria defesa ter acesso ao conteúdo integral do material.
Segundo o comunicado, as conversas que vieram a público incluem diálogos pessoais e íntimos, além de supostos contatos com autoridades e até com o ministro Alexandre de Moraes.
“Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material”, diz a nota.
Os advogados também afirmam que parte das conversas pode ter sido editada ou divulgada fora de contexto, o que, segundo eles, poderia gerar interpretações equivocadas sobre o conteúdo.
Conversas com namorada mencionam encontros
Entre os diálogos que teriam sido divulgados estão conversas de Vorcaro com sua namorada, Martha Graeff.
Segundo as informações que vieram à tona, as mensagens fariam referência a encontros com o ministro Alexandre de Moraes, além de mencionar relacionamentos com parlamentares e estratégias envolvendo negociações financeiras.
Entre os temas citados estaria inclusive a possível venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação que também passou a chamar atenção no meio político e financeiro.
Defesa quer saber quem vazou
Diante da repercussão e da divulgação de mensagens sob investigação, a defesa de Vorcaro pediu ao STF que seja instaurado um inquérito para identificar a origem dos vazamentos.
Os advogados também solicitaram que a autoridade policial apresente a relação completa de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos durante a investigação.
“Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos”, afirmaram.
Caso segue em expansão
O episódio amplia ainda mais a dimensão do caso envolvendo o Banco Master, que nos últimos dias passou a misturar investigação policial, disputas financeiras e possíveis conexões políticas em Brasília.
Com a menção a autoridades de alto escalão nas mensagens, o caso tende a ganhar novos desdobramentos tanto no campo judicial quanto no cenário político nacional.
Enquanto isso, a expectativa agora gira em torno de como o STF irá reagir ao pedido da defesa e se haverá ou não a abertura de um inquérito específico para apurar os vazamentos.