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Defesa diz que decisão de se entregar cabe a Neno Razuk; ex-deputado segue sem cumprir mandado de prisão

Advogados afirmam que ainda não tiveram acesso ao pedido de prisão e avaliam apresentar pedido de revogação da preventiva antes do cumprimento do mandado.

A defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, afirmou que caberá exclusivamente ao próprio ex-parlamentar decidir se irá se apresentar às autoridades para cumprir o mandado de prisão decretado pela Justiça de Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, o mandado permanece sem cumprimento e, até o momento, o ex-deputado não foi localizado pelas autoridades.

O Portal O Contribuinte apurou que agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) realizaram diligências para localizar Neno Razuk logo após a expedição da ordem judicial. Na terça-feira (7), equipes estiveram na residência do ex-deputado, mas ele não foi encontrado.

No dia seguinte, um dos advogados de defesa, e também sobrinho de Neno, Roberto Razuk Neto, compareceu à sede do Gaeco em busca de informações sobre o mandado de prisão.

Posteriormente, na quarta-feira (8), a defesa protocolou pedido para ter acesso aos autos que fundamentaram a decretação da prisão. Segundo os advogados, até esta quinta-feira (9), o acesso ainda não havia sido liberado.

O advogado afirmou que o conhecimento da íntegra da decisão é essencial para definir as medidas jurídicas que poderão ser adotadas.

Segundo ele, a intenção da defesa é analisar os fundamentos utilizados pela Justiça para, eventualmente, ingressar com um pedido de revogação da prisão preventiva antes mesmo do cumprimento do mandado.

“Isso dificulta a atuação da defesa”, afirmou o advogado.

Outro integrante da defesa, Ricardo Souza Pereira, reforçou que a decisão sobre uma eventual apresentação às autoridades depende exclusivamente do próprio Neno Razuk.

“A decisão de se entregar compete a ele”, declarou, acrescentando que a demora na liberação dos autos prejudica significativamente a estratégia da defesa.

De acordo com os advogados, a demora estaria relacionada ao fato de o juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, responsável pela decisão que decretou a prisão, encontrar-se em período de férias. Com isso, o pedido de acesso ao processo deverá ser analisado por um magistrado substituto.

Polícia continua tentando cumprir o mandado

Condenado a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho no âmbito da Operação Sucessione, Neno Razuk permanece com mandado de prisão em aberto.

Enquanto a defesa busca acesso aos autos para avaliar novas medidas judiciais, as autoridades continuam responsáveis pelo cumprimento da ordem expedida pela Justiça.

O Portal O Contribuinte também procurou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul para saber se o ex-deputado já é oficialmente tratado como foragido, diante das diligências realizadas sem sucesso.

Em nota, o MPMS informou que não irá comentar detalhes da investigação nem do cumprimento do mandado em razão do sigilo processual.

“Em razão do sigilo processual, não é possível divulgar informações adicionais neste momento. Assim que houver novidades passíveis de divulgação, elas serão informadas por meio dos canais oficiais da instituição”, informou o órgão.

Neno Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio deste ano após a recontagem dos votos determinada pela Justiça Eleitoral. Desde então, deixou de contar com as prerrogativas parlamentares que lhe permitiam responder ao processo em liberdade.

A investigação conduzida pelo Gaeco aponta Neno Razuk como líder de uma organização criminosa investigada por explorar o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul e por praticar outros crimes relacionados à disputa pelo controle da atividade ilegal no Estado.