A Justiça suspendeu por 90 dias a delação premiada de Thiago Basso da Silva, ex-chefe de compras da Prefeitura de Sidrolândia. A decisão do juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva interrompe temporariamente os efeitos do acordo, por descumprimento de cláusulas por parte do delator, como a devolução integral de R$ 80 mil em propina. O caso será reavaliado após o prazo.
Apesar da suspensão, o processo da Operação Tromper segue em andamento. A investigação do Gaeco aponta um esquema de corrupção liderado por Claudinho Serra (PSDB), ex-secretário de Fazenda de Sidrolândia e atual vereador em Campo Grande. Ele foi preso novamente este mês, junto com seu assessor Carmo Name Júnior e o empreiteiro Cleiton Nonato Correia, da GC Obras.
Segundo Basso, Claudinho recebia “comissões” mensais de até 20% sobre contratos públicos, cobradas diretamente das empresas por meio de notas frias e pagamentos em dinheiro. O delator afirmou que era responsável por fazer a cobrança dos empresários a mando de Serra, incluindo nomes como José Ricardo Rocamora, Luiz Gustavo Marcondes e Milton Matheus Paiva, todos réus na ação.
A operação já tornou 22 pessoas rés, entre políticos, servidores e empresários. O esquema, segundo o MP, desviou milhões dos cofres públicos e envolvia fraudes em licitações, pagamentos indevidos e direcionamento de contratos. Claudinho, que assumiu vaga na Câmara com manobra do PSDB, é apontado como o chefe da organização criminosa que atuava durante a gestão da ex-prefeita Vanda Camilo, sogra do vereador.
Sem a homologação judicial, a delação de Basso não tem validade legal no processo. O Ministério Público ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão da Justiça.