Economista Renato, Beto Figueiró e Oswaldo Meza simbolizam a aposta do partido em nomes fora do establishment
Mesmo com uma estrutura partidária considerada modesta quando comparada às grandes siglas do Estado, o Partido Democracia Cristã (DC) tem adotado uma estratégia clara e ousada para as eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul: apostar em nomes que se apresentam como outsiders, figuras que rejeitam o rótulo de políticos tradicionais e constroem sua imagem a partir do enfrentamento direto ao sistema, inclusive a políticos da própria direita com mandato.
A movimentação do Democracia Cristã segue uma linha semelhante à do Partido Novo, que também trabalha para lançar candidaturas próprias ao Poder Executivo, buscando ocupar espaços e construir uma chapa majoritária competitiva, com discurso de renovação, crítica à classe política tradicional e cobrança pública de autoridades.
Economista Renato surge como pré-candidato ao Governo do Estado
Um dos principais nomes do Democracia Cristã para 2026 é o economista Renato, que passou a ganhar projeção política a partir de 2025. Sem histórico de mandatos eletivos, Renato se apresenta como cidadão comum, crítico da política tradicional e defensor de uma atuação combativa contra o que chama de “acomodação institucional” no Estado.
Desde que surgiu no debate público, Renato tem protagonizado inúmeros enfrentamentos políticos, inclusive contra parlamentares do PL, como Rafael Tavares, Ana Portela e André Salineiro, além de críticas contundentes a órgãos e instituições, especialmente em momentos de crise na saúde pública.
Além disso, Renato tem se consolidado como um dos críticos mais frequentes e públicos do governador Eduardo Riedel (PP), apontando falhas na gestão estadual em áreas como saúde, educação e, principalmente, nos gastos com publicidade, tema recorrente em suas manifestações.
Questionado pela redação de O Contribuinte, o economista confirmou que é pré-candidato ao Governo do Estado em 2026 e que pretende manter o projeto político.
“Sou, sim, pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul. A partir de janeiro até março vou percorrer os 79 municípios do Estado, conhecer a realidade de cada cidade, ouvir as pessoas e apresentar um projeto construído com a população”, afirmou Renato.
O economista reforça sua condição de outsider, se colocando como oposição direta ao atual governo e ao modelo político dominante no Estado.
Beto Figueiró também surge como opção ao Executivo estadual
Outro nome que figura no radar do Democracia Cristã é o de Beto Figueiró, ex-candidato a prefeito de Campo Grande nas eleições de 2024 pelo Partido Novo. Na disputa municipal, Beto construiu uma candidatura marcada pelo enfrentamento político, com críticas diretas ao atual prefeita Adriane Lopes, ao então candidato apoiado pelo governador Eduardo Riedel e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, Beto Pereira, além de embates com outros nomes do campo político local.
Assim como Renato, Beto sempre se apresentou como outsider, reforçando o discurso de independência e oposição ao sistema político tradicional. Atualmente, ele comanda o Democracia Cristã em Mato Grosso do Sul, o que abre espaço para que seu nome também seja cogitado como potencial candidato ao Governo do Estado pela legenda em 2026.
Doutor Oswaldo Meza desponta como nome ao Senado
Para o Senado Federal, o Democracia Cristã trabalha com o nome do doutor Oswaldo Meza, que ganhou notoriedade em 2025 por uma série de ações jurídicas e políticas, tanto em nível local quanto nacional.
No cenário nacional, Oswaldo Meza apresentou habeas corpus pedindo a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando irregularidades nas decisões do ministro Alexandre de Moraes. Além disso, levou o pedido ao Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, reforçando sua atuação fora do circuito político tradicional.
No âmbito estadual e municipal, o advogado também protagonizou diversos embates. Recentemente, a Justiça aceitou pedido de intervenção no Consórcio Guaicurus, ação de autoria de Oswaldo Meza em conjunto com o ex-candidato a prefeito de Campo Grande Luso de Queiroz, decisão que foi definida no final do ano passado.
Outro episódio de destaque foi a atuação contra o reajuste do IPTU em Campo Grande, proposto pela prefeita Adriane Lopes, tema no qual Oswaldo Meza tem liderado ações judiciais e mobilização pública.
O advogado também esteve à frente de pedidos envolvendo a Cassems, incluindo atuação em processos que pediam o afastamento de Ricardo Ayache, além de ações recentes relacionadas à Santa Casa, onde solicitou intervenção diante do risco de profissionais da saúde não receberem o 13º salário no final de dezembro.
Assim como os demais nomes do partido, Oswaldo Meza se apresenta como outsider, com discurso de enfrentamento às estruturas de poder e forte crítica às instituições quando considera que há falhas ou abusos.
Estratégia clara para 2026
Com esse conjunto de nomes, o Democracia Cristã deixa claro que sua aposta para 2026 não está baseada em políticos tradicionais ou em grandes alianças partidárias, mas sim em candidaturas que se vendem como alternativas ao sistema, com forte presença nas redes sociais, discurso combativo e disposição para confrontar figuras consolidadas da política sul-mato-grossense.
Mesmo com uma estrutura menor, o partido pretende ocupar espaços relevantes na disputa eleitoral, seguindo uma estratégia semelhante à do Partido Novo: lançar candidatos ao Executivo e ao Senado, construir palanques próprios e se consolidar como uma opção competitiva dentro do campo da direita, mas fora do eixo tradicional de poder.