Em coletiva no Senado, ex-presidente critica denúncia da PGR, defende voto impresso e questiona legitimidade das acusações: “Sempre joguei dentro das quatro linhas”
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em coletiva concedida no Senado Federal nesta quinta-feira (17), ao lado de aliados, rebateu com veemência as acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de que teria liderado uma tentativa de golpe de Estado. Durante a fala de pouco mais de dois minutos, Bolsonaro classificou a denúncia como baseada em suposições e disse estar sendo alvo de uma tentativa de criminalização por sua defesa do voto impresso.
“Eu não tenho que provar que sou inocente. Eles têm que provar que sou culpado”, afirmou o ex-presidente. “Tudo é suposição. Me acusar de atentar contra a democracia por querer o voto impresso é desconsiderar o parlamento brasileiro.”
Bolsonaro também questionou o trecho da denúncia que o vincula aos atos de 8 de janeiro de 2023, no Rio de Janeiro. Segundo ele, naquele momento estava nos Estados Unidos. “Querem a todo custo me colocar naquele inquérito. Como posso responder por depredação de patrimônio se eu não estava aqui?”, alegou.
Ao contestar a narrativa de que teria chefiado uma organização criminosa ou um movimento armado, ele desafiou as autoridades a apresentarem provas de que houve armas envolvidas. “Chegue na polícia legislativa aqui do Senado e pergunte se alguma arma foi apreendida. Não tem nada que me vincule a esses atos”, disse.
Críticas à PGR e ao ministro Paulo Gonet
Na coletiva, Bolsonaro também criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável pelo pedido de sua condenação. “Lamento a peça do Sr. Paulo Gonet, uma pessoa católica, temente a Deus, e que se presta a fazer um relatório desses, indo além do que a própria Polícia Federal falou”, declarou.
Questionado sobre o suposto golpe de Estado, Bolsonaro ironizou a narrativa: “Quando há uma tentativa de golpe de Estado no mundo, em minutos já se sabe quem foi o autor, o general, o presidente. Até hoje aqui não chegaram à conclusão de quem comandou no Rio de Janeiro”.
Em tom de indignação, concluiu: “Um golpe sem armas, sem forças armadas, sem lucro político, que fez contato com Parlamento, imprensa, mundo? Um absurdo isso aí”.