Durante a sessão desta terça-feira (24) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), a deputada estadual Gleice Jane (PT) protagonizou um dos discursos mais polêmicos do ano ao atacar o Estado de Israel em tom agressivo e com acusações graves. Além das declarações, a parlamentar levou para a tribuna um cartaz onde se lia: “Romper relações com o Estado genocida de Israel #PalestinaLivre”, conforme registrado em foto oficial da TV Assembleia.
A deputada fez duras críticas ao governo estadual e direcionou pesadas acusações ao Estado de Israel. O centro da polêmica foi a recente viagem de um secretário de Estado e outros servidores públicos a Israel, sob a justificativa de buscar ciência e tecnologia.
A parlamentar anunciou que vai assinar, junto com o deputado Pedro Kemp (PT), um requerimento exigindo esclarecimentos formais sobre a viagem. Para Gleice Jane, a justificativa oficial é insustentável.
“Eu vou dizer desculpa, porque realmente não faz sentido a justificativa de que foi buscar ciência e tecnologia, uma vez que Israel não é a grande referência em ciência e tecnologia no mundo”, declarou. Segundo ela, países como “Estados Unidos, Canadá, Suíça e Japão têm muito mais tecnologia”.
O tom da deputada se intensificou ao abordar o atual conflito entre Israel e Gaza. Ela acusou Israel de estar promovendo um genocídio contra o povo palestino.
“Israel está tentando garantir uma imagem bonita diante do que ele está fazendo com Gaza, e a gente não pode aceitar isso, porque o povo palestino está sendo destruído num processo tenso de genocídio”, afirmou.
Gleice Jane foi além e rotulou Israel de forma contundente:
“O Estado é um Estado terrorista hoje. Israel hoje é um Estado terrorista na medida em que ele está matando mulheres e crianças e bombardeando outras pessoas também, matando, bombardeando e amputando crianças. Isso não é um papel de um Estado democrático, isso é um papel de um Estado terrorista.”
A deputada também questionou os gastos públicos com a viagem:
“O governo do Estado precisa explicar por que está gastando dinheiro, dinheiro da empregada doméstica, o dinheiro do picolezeiro, o dinheiro do trabalhador para poder pagar passagem e despesa com pessoas que foram ao Estado.”
Gleice Jane ainda fez menção a possíveis alertas de segurança desrespeitados com a viagem:
“Quando tem orientação nacional dos riscos dessas pessoas”, disse, sem detalhar a qual orientação se referia.
A fala da deputada foi encerrada com um apelo por respostas por parte do Executivo estadual:
“A população precisa de resposta”, finalizou.
ISRAEL
Israel, frequentemente apelidado de “Startup Nation”, consolidou sua posição como um centro global de inovação e tecnologia. Apesar de seu tamanho geográfico modesto, o país se destaca por sua vibrante indústria de alta tecnologia, impulsionada por um ecossistema robusto que inclui pesquisa e desenvolvimento de ponta, investimento de risco significativo e um talento humano altamente qualificado, muitas vezes oriundo de unidades tecnológicas militares de elite.
A contribuição tecnológica de Israel abrange diversas áreas que impactaram o mundo. Na área de conectividade e comunicação, inovações como o USB flash drive (DiskOnKey), desenvolvido pela M-Systems, e o pioneiro serviço de mensagens instantâneas ICQ foram marcos. A tecnologia médica (MedTech) viu avanços notáveis com a PillCam, uma câmera em formato de pílula que revolucionou a endoscopia.
O setor automotivo e de transporte foi transformado por tecnologias israelenses como o Waze, o popular aplicativo de navegação baseado em comunidade (adquirido pelo Google), e a Mobileye, líder em sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) e tecnologia para carros autônomos (adquirida pela Intel).
Na defesa e segurança, Israel é reconhecido mundialmente. O sistema de defesa antimísseis Iron Dome é um exemplo proeminente. A expertise em cibersegurança é particularmente forte, com Israel sendo um líder global em soluções de segurança digital, exemplificado pela Check Point, pioneira em firewalls.
Outras áreas de destaque incluem a tecnologia da água, onde Israel é pioneiro em dessalinização e técnicas eficientes como a irrigação por gotejamento, e a tecnologia agrícola (AgriTech), com inovações para otimizar o uso de recursos.
O cenário empresarial de Israel é povoado por empresas de sucesso internacional. Além da já mencionada Check Point Software Technologies, uma das maiores empresas de cibersegurança do mundo, outras companhias notáveis incluem a Teva Pharmaceutical Industries, uma das maiores empresas farmacêuticas genéricas globais; a NICE Ltd., fornecedora de software para gerenciamento de experiência do cliente; a Elbit Systems e a Israel Aerospace Industries (IAI), gigantes da eletrônica de defesa e aeroespacial; a Wix, uma plataforma popular de criação de sites; a CyberArk, especializada em segurança de identidade; a Amdocs, focada em software e serviços para telecomunicações; a Verint Systems, em inteligência de ação; e a Netafim, líder em irrigação por gotejamento.
A excelência acadêmica e científica de Israel também se reflete no reconhecimento internacional, incluindo o Prêmio Nobel. Vários israelenses foram agraciados com este prestigioso prêmio em diversas áreas:
- Shimon Peres (Paz, 1994)
- Yitzhak Rabin (Paz, 1994)
- Robert Aumann (Ciências Econômicas, 2005)
- Aaron Ciechanover (Química, 2004)
- Avram Hershko (Química, 2004)
- Ada Yonath (Química, 2009)
- Dan Shechtman (Química, 2011)
- Michael Levitt (Química, 2013)
- Arieh Warshel (Química, 2013)
- Daniel Kahneman (Ciências Econômicas, 2002) – frequentemente citado como israelense-americano.
É importante notar que, embora o número de laureados com cidadania israelense seja expressivo para um país de seu tamanho, a alta representatividade em Prêmios Nobel é ainda mais notável quando se considera a origem judaica em escala global. Estima-se que cerca de 20% a 25% de todos os laureados com o Prêmio Nobel ao longo da história sejam de origem judaica, independentemente de sua nacionalidade. Essa estatística, embora distinta do número de laureados especificamente israelenses, sublinha uma forte tradição histórica de busca pelo conhecimento, excelência acadêmica e contribuição científica entre pessoas de herança judaica em todo o mundo, muitos dos quais não são cidadãos de Israel.
Em resumo, Israel se estabeleceu como uma potência tecnológica e um centro de inovação global. Suas contribuições vão desde invenções de uso diário até sistemas de defesa avançados, impulsionadas por um ecossistema dinâmico de startups e empresas estabelecidas. A proeminência em áreas científicas e a conquista de Prêmios Nobel por seus cidadãos, juntamente com a notável proporção de laureados de origem judaica globalmente, destacam a profunda conexão de Israel com a vanguarda da ciência e da tecnologia mundial.