A deputada federal trans Erika Hilton (PSOL-SP) utilizou recursos da Câmara dos Deputados para custear parte de uma cirurgia no nariz feita em fevereiro de 2024. O procedimento, que incluiu uma rinosseptoplastia funcional (voltada para corrigir problemas respiratórios), custou R$ 26 mil, dos quais R$ 24.700 foram reembolsados com dinheiro público. A informação foi divulgada pelo Portal Metrópoles.
A cirurgia foi realizada no Hospital Samaritano, em São Paulo, e incluiu também uma rinoplastia estética, que, segundo Erika Hilton, foi inteiramente paga com recursos próprios — aproximadamente R$ 21 mil. A deputada afirma que o procedimento funcional foi recomendado por médicos após repetidos quadros de sinusite, infecções respiratórias e obstruções nasais que não foram resolvidos com medicação. Segundo ela, apenas essa parte do procedimento foi submetida ao sistema de reembolso da Câmara, seguindo parecer técnico e orientação jurídica.
O reembolso foi solicitado e aprovado no início de abril, dentro das regras da Casa, que permitem aos parlamentares o reembolso de despesas médicas, desde que sejam consideradas necessárias e estejam dentro dos parâmetros estabelecidos.
Apesar da legalidade do reembolso, o caso gerou críticas nas redes sociais e entre opositores políticos, que questionaram a utilização de verba pública para cirurgias que incluem componentes estéticos, mesmo que estes não tenham sido pagos com dinheiro da Câmara. Internamente, aliados de Hilton também teriam demonstrado incômodo com o episódio, especialmente por ter coincidido com o início de sua liderança na bancada do PSOL.
Erika Hilton, uma das parlamentares trans mais conhecidas do país, afirma que não houve qualquer irregularidade no processo e que a transparência foi total. Ela disse ainda que lamenta o uso político da situação, especialmente em um cenário em que questões de saúde são tratadas com descaso quando envolvem corpos trans.