A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul foi palco, nesta terça-feira, de um discurso contundente do deputado estadual Pedro Kemp (PT), que apresentou um requerimento de informações ao governador Eduardo Riedel (PSDB) exigindo esclarecimentos sobre a recente viagem de servidores públicos estaduais a Israel.
A comitiva, formada pelo secretário executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ricardo Sena; pela secretária-adjunta de Saúde, Cristiane Maimoni; e pelo coordenador de Tecnologia da Informação da Saúde, Marcos de Freitas, visitou o país em meio ao agravamento do conflito armado na Faixa de Gaza, o que provocou revolta no parlamentar petista.
“Queremos saber o que esses servidores foram fazer em Israel neste momento. Um país governado por um regime sionista, fascista, genocida e terrorista. Um governo que está promovendo um massacre contra o povo palestino, com cenas de horror transmitidas diariamente pelas televisões do mundo inteiro. Isso é terrorismo de Estado!”, afirmou Kemp no plenário.
O deputado questionou de forma incisiva o uso de recursos públicos na missão, além de apontar o descumprimento de uma recomendação do Ministério das Relações Exteriores, que desde outubro de 2023 orienta que brasileiros evitem deslocamentos não essenciais para Israel devido à escalada da violência.
“Primeiro, queremos saber qual foi o real objetivo dessa viagem. Segundo, quem pagou? O governo do Estado usou dinheiro público para mandar servidores para um país em guerra? Terceiro, por que desconsideraram o alerta do Itamaraty? Quarto, que resultados práticos essa viagem trouxe para o povo sul-mato-grossense?”, enumerou Kemp.
Ele também chamou atenção para o momento delicado vivido pelos servidores durante a estadia, que, segundo o deputado, ficaram retidos e sem condições de retorno imediato por causa da escalada do conflito entre Israel e Irã.
Acusação de genocídio
Num dos trechos mais fortes de sua fala, Pedro Kemp denunciou o que classificou como a “maior matança de crianças de todos os tempos”, referindo-se às operações militares israelenses na Faixa de Gaza.
“Os números são estarrecedores: 9.900 crianças mortas por milhão de habitantes. Isso é três vezes mais do que no período nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, quando 2.800 crianças por milhão foram assassinadas. É um massacre sem precedentes na história moderna!”, disse Kemp
O deputado ainda elogiou a postura do presidente Lula, que vem denunciando o genocídio palestino em fóruns internacionais.
“Lula tem tido coragem de levantar a voz. Ele tem chamado o que está acontecendo de genocídio e limpeza étnica. E eu reforço: é isso mesmo que estamos vendo. Uma limpeza étnica televisionada, transmitida ao mundo todo, e a maioria fica em silêncio”, criticou.
Pedro Kemp também foi enfático ao defender o rompimento imediato das relações diplomáticas entre o Brasil e Israel.
“O Brasil precisa romper relações com esse governo fascista e terrorista que comete crimes de guerra todos os dias. Não há nenhum motivo ético, político ou humanitário para qualquer brasileiro visitar Israel neste momento. Não podemos normalizar o genocídio”, declarou o deputado.
Kemp ainda ironizou o motivo alegado para a viagem, que segundo informações preliminares teria sido para buscar parcerias na área da saúde.
“Foram aprender o quê? Como atacar hospitais? Como matar civis? O Mato Grosso do Sul está discutindo a terceirização dos hospitais via parcerias público-privadas. O que esses servidores foram fazer lá em plena guerra? Isso é inaceitável!”, completou.
O requerimento apresentado por Pedro Kemp agora segue para análise da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e aguarda resposta formal do Governo do Estado.