Márcio Fernandes disputa a reeleição pelo PL. Investigadores ainda apuram de quem era o valor e se há ligação com possíveis crimes eleitorais.
A Polícia Federal apreendeu mais de R$ 250 mil em dinheiro vivo durante as buscas realizadas nesta sexta-feira, 25 de setembro, no comitê eleitoral e no apartamento do deputado estadual Márcio Fernandes (PL), candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul. O valor, dividido em notas de R$ 100 e R$ 50, ainda estava sendo contabilizado pelas equipes.
A apreensão ocorreu na Operação Jogo Limpo, que apura possíveis crimes eleitorais. Além do dinheiro, agentes recolheram três celulares, um pendrive e materiais de campanha. As diligências passaram pelo comitê, na Rua Raul Pires Barbosa, 804, na região da Chácara Cachoeira, e pelo apartamento onde o deputado mora, no Bairro Royal Park.
Um ponto que exige explicação é a declaração de bens apresentada por Márcio Fernandes à Justiça Eleitoral: nela, o candidato não informou possuir dinheiro em espécie. A PF vai apurar a origem dos mais de R$ 250 mil, a quem o valor pertencia e qual seria sua eventual destinação. Até agora, não foi informado em qual dos dois endereços o dinheiro estava.

O que significa não declarar dinheiro em espécie?
Ao pedir o registro da candidatura, o candidato apresenta à Justiça Eleitoral uma declaração de seus bens. Se naquela data possuía dinheiro vivo como parte do patrimônio, esse valor deve constar da relação. A declaração permite ao eleitor consultar o patrimônio informado por quem disputa a eleição.
Essa declaração é diferente da prestação de contas da campanha. A prestação registra os recursos arrecadados e os gastos eleitorais. Se dinheiro for destinado à campanha, sua entrada e utilização devem seguir as regras de identificação e registro estabelecidas pelo TSE. Para doações financeiras acima de R$ 1.064,10, as normas de 2026 exigem transferência entre contas bancárias ou cheque nominal e cruzado, justamente para permitir o rastreamento.
O advogado Assahd Milan Neto, que representa Márcio Fernandes, informou que ainda não teve acesso aos detalhes da operação. Ele afirmou que o deputado não foi preso e que se manifestará após conhecer os autos. O Contribuinte mantém espaço aberto para novos esclarecimentos da defesa e atualizará a reportagem quando a Polícia Federal divulgar o resultado da contagem e mais informações sobre a apreensão.
