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Diretor financeiro da Santa Casa mantém frota de quase R$ 500 mil em meio à crise do hospital

Enquanto funcionários aguardam salários, diretor financeiro da Santa Casa possui veículos de alto padrão

A grave crise financeira que atinge a Santa Casa de Campo Grande ganhou um novo e sensível capítulo. Enquanto o maior hospital filantrópico do Estado enfrenta atrasos no pagamento de funcionários, pressão crescente de fornecedores e alertas sobre risco de paralisação de serviços, documentos públicos revelam que o diretor financeiro da instituição, Rinaldo Hakme Romano, mantém em seu nome uma frota de veículos avaliada em aproximadamente R$ 455 mil.

Os dados, obtidos a partir de registros oficiais e valores de referência da Tabela FIPE, apontam quatro bens automotores vinculados ao gestor responsável pela condução financeira do hospital, incluindo veículos de alto padrão da marca BMW.

Constam na relação um BMW 320i M Sport, ano/modelo 2023, avaliado em cerca de R$ 277 mil; uma BMW F 850 GS, motocicleta ano 2019, cotada em torno de R$ 52 mil; um Honda Civic EXL 2019, avaliado em aproximadamente R$ 113 mil; além de uma Honda Pop 110i, estimada em R$ 11 mil.

Contraste com a realidade do hospital

O patrimônio chama atenção pelo contraste direto com a situação enfrentada pela Santa Casa, que vive uma das mais graves crises financeiras de sua história recente. Funcionários relatam atrasos salariais recorrentes, insegurança quanto à regularidade dos vencimentos e dificuldades operacionais. Fornecedores pressionam por pagamentos em atraso, enquanto a direção do hospital busca aportes emergenciais e renegociação de dívidas para manter o atendimento à população.

A crise tem sido debatida publicamente por autoridades, entidades médicas e representantes dos trabalhadores, com alertas sobre o risco de comprometimento dos serviços de saúde, especialmente para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que dependem diretamente da instituição.

Legalidade não afasta questionamentos

Especialistas em gestão hospitalar e finanças públicas ouvidos pela reportagem ressaltam que a posse de patrimônio pessoal não configura, por si só, qualquer ilegalidade. No entanto, ponderam que, no contexto de uma entidade filantrópica fortemente dependente de recursos públicos, o cenário levanta questionamentos legítimos sobre governança, prioridades administrativas e credibilidade institucional.

A avaliação é de que a imagem da instituição pode ser afetada quando há um descompasso entre a situação financeira do hospital e o padrão de vida de seus principais gestores, especialmente daqueles diretamente responsáveis pela área financeira.

Silêncio da instituição

Até o fechamento desta matéria, a Santa Casa de Campo Grande e o diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano não se manifestaram sobre a frota de veículos registrada em seu nome, tampouco esclareceram quais critérios vêm sendo adotados para enfrentar os atrasos salariais e a atual situação financeira da instituição.

O portal O Contribuinte mantém o espaço aberto para manifestações, esclarecimentos ou contrapontos.