A Dívida Pública Federal chegou a R$ 9,288 trilhões em julho, após registrar alta de 0,22% no mês. Em junho, o estoque estava em R$ 9,268 trilhões.
O aumento foi provocado principalmente pela incorporação de juros, que somaram R$ 89,95 bilhões no período. Mesmo com mais resgates de títulos do que emissões, os juros fizeram a dívida continuar crescendo.
A dívida interna, formada pelos títulos emitidos no mercado brasileiro, subiu 0,31% e chegou a R$ 8,948 trilhões. Já a dívida externa caiu 2,12%, para R$ 340,06 bilhões.
O cenário preocupa porque a dívida já havia ultrapassado a marca de R$ 9 trilhões em junho. E, embora o valor atual esteja dentro das previsões do governo, o Plano Anual de Financiamento estima que o estoque possa terminar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Outro ponto de atenção está no custo dos juros. Os títulos atrelados à Selic passaram a representar 51,11% da dívida, diante de uma taxa básica de juros de 14% ao ano. Na prática, quanto mais tempo os juros permanecem elevados, maior tende a ser a pressão sobre o custo de financiamento do governo.
O Tesouro também mantém um colchão financeiro de aproximadamente R$ 1,346 trilhão para garantir o pagamento dos compromissos da dívida em períodos de maior instabilidade.
Os números mostram que o endividamento público continua avançando e que uma parcela significativa do orçamento precisa ser direcionada ao pagamento de juros. O resultado reforça a necessidade de controle das contas públicas e de medidas capazes de conter o crescimento da dívida, evitando que a conta continue aumentando para o contribuinte.
Para o fim de 2026, o Tesouro prevê que os títulos corrigidos pela Selic representem entre 49% e 53% da dívida pública.