Um memorando interno do Centro Integrado de Monitoramento Eletrônico (CIME), da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, revela novos detalhes sobre o episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro, na madrugada de sábado, 22. O documento oficial, assinado pela diretora adjunta do órgão, Rita Gaio, contradiz versões que circularam sobre uma tentativa de rompimento do equipamento.
Segundo o relatório, foi o próprio Bolsonaro quem acionou a equipe de escolta, e não o sistema de monitoramento que teria identificado uma violação grave. De acordo com o texto, o equipamento apresentou sinal luminoso vermelho, o que, ainda conforme relatos de servidores, é compatível com alerta de bateria fraca, e não necessariamente com dano ou tentativa de rompimento.
Apesar de o sistema ter registrado uma possível anomalia, o documento descreve que, ao chegar ao local, a equipe não encontrou sinais de choque contra a escada, tampouco indícios de rompimento da pulseira. O equipamento apresentava, porém, marcas de desgaste e danos no case, o que levou à substituição imediata da tornozeleira naquela mesma madrugada.
O memorando pontua que, após a troca, o novo dispositivo operou normalmente nos testes de tração e leitura de sinal, sendo o ex-presidente autorizado a retornar ao repouso.

A defesa de Bolsonaro argumenta que o caso foi posteriormente usado como complemento à decisão de decretar sua prisão preventiva, decisão que já havia sido tomada com base no anúncio da vigília que seria realizada por apoiadores em frente à condomínio de Jair Bolsonaro.

O próprio despacho do ministro Alexandre de Moraes confirma que a autoridade policial representou pela reapreciação da medida cautelar na sexta-feira, 21, solicitando a substituição da prisão domiciliar pelo “recolhimento cautelar imediato” na Superintendência da Polícia Federal. O trecho do documento oficial (PET 14129/DF) registra expressamente:
“Em 21/11/2025, a autoridade policial representou pela reapreciação dos fundamentos da medida cautelar…”
Além disso, o despacho destaca que a Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado sobre esse pedido — mostrando que todo o processo de análise estava em curso antes do alerta de tornozeleira registrado apenas na madrugada de 22/11.
Esse detalhe reforça a conclusão de que a prisão já estava em andamento e não foi provocada pelo dispositivo eletrônico, cuja falha foi técnica e solucionada por troca do equipamento.
