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Eleita pelo bolsonarismo, Soraya Thronicke vira as costas e vota contra PL que beneficia Bolsonaro, aliados e apoiadores

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), eleita em 2018 na esteira do bolsonarismo e com discurso alinhado às pautas conservadoras, votou contra o PL da Dosimetria, projeto que reduz penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, principal liderança do campo político que impulsionou sua eleição.

O voto de Soraya destoou não apenas da maioria do Senado, mas também do eleitorado que a elegeu há seis anos. À época, a senadora surfou na onda antipetista, no discurso contra o “sistema” e na defesa de bandeiras associadas à direita e ao bolsonarismo.

Desde então, porém, o reposicionamento político da parlamentar tem se tornado cada vez mais evidente.

Guinada política e cálculo eleitoral

Não é de agora que Soraya tem votado de forma alinhada à esquerda no Senado. Em pautas centrais do governo Lula, a senadora tem se afastado do campo conservador e buscado aproximação com setores progressistas.

Com a eleição de dois senadores em 2026, Soraya articula sua sobrevivência política mirando uma composição estratégica com a esquerda. Nos bastidores, o movimento é claro: a senadora tenta viabilizar uma dobradinha com o deputado federal Vander Loubet (PT), nome já colocado como pré-candidato ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores.

A estratégia seria dividir o eleitorado: Vander consolidaria os votos da esquerda petista, enquanto Soraya buscaria captar o mesmo campo político, agora reposicionando sua imagem e se afastando definitivamente do bolsonarismo que a elegeu.

Contradição com o passado

O voto contra o PL da Dosimetria simboliza esse rompimento. Enquanto Nelsinho Trad (PSD) e Tereza Cristina (PP) votaram a favor da proposta — alinhados ao discurso de revisão das penas e de críticas aos excessos do Judiciário — Soraya escolheu o caminho oposto, acompanhando o PT e o PDT.

O gesto não passou despercebido no meio político e deve pesar no debate eleitoral de 2026, quando a senadora precisará explicar ao eleitor conservador por que hoje vota contra pautas que antes defendia — e por que tenta, agora, se apresentar como opção palatável ao campo progressista e ao presidente Lula.

Mais do que um voto, a decisão revela uma escolha estratégica: Soraya aposta que o caminho para a reeleição não passa mais pelo bolsonarismo, mas pela construção de uma nova identidade política, ancorada à esquerda e à polarização que ela própria ajudou a alimentar em 2018.