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Eleitores de direita lotam redes com apoio à Ypê após medida da Anvisa

decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a produção e determinar o recolhimento de parte dos produtos da Ypê gerou repercussão entre bolsonaristas, que acreditam que a medida sanitária é, na verdade, uma perseguição política. Na área de menções do perfil oficial da empresa no Instagram, se acumulam às centenas vídeos de pessoas usando os itens de limpeza da companhia até mesmo para fins não convencionais como em banhos e ingerindo o líquido de uma embalagem de detergente.

Waldir Beira Junior, dono da Ypê, doou R$ 250 mil para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. O posicionamento político do empresário alimenta a hipótese entre apoiadores do ex-presidente  de que a medida da Anvisa não tenha critérios sanitários, mas políticos.

Políticos como o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL-SP), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL-SP) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) se pronunciaram nas redes sociais alimentando a desconfiança e até promovendo a marca e o uso dos produtos a despeito da recomendação da Anvisa.

Na área de menções no perfil da Ypê no Instagram, contam-se às centenas vídeos de pessoas comprando detergentes e outros produtos de limpeza em supermercados ou lavando louça com os itens.

Há registros mais inusitados como vídeos de pessoas dançando com embalagens, tomando banho com detergente e até bebendo o conteúdo direto das garrafas onde são envasados os produtos de limpeza. Há ainda muitas montagens feitas com inteligência artificial sugerindo que a marca sofre uma perseguição e que ela será usada para “limpar o Brasil” dos governos de esquerda.

Entenda o caso

Na última quinta-feira (7), a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, distribuição e comercialização de produtos feitos na fábrica da Ypê em Amparo, interior paulista. A agência avaliou que a produção no local apresentava falhas no controle de qualidade; descumprimentos em etapas críticas da fabricação; e problemas nos sistemas de garantia sanitária. A decisão é restrita aos produtos com lotes terminados com o número 1.

Ypê recorreu da medida da Anvisa na sexta-feira (8) e conseguiu um efeito suspensivo para paralisar o processo de recolhimento dos produtos e retomar a produção na fábrica de Amparo. A fabricante de produtos de limpeza.

Em novembro do ano passado, a própria Ypê fez um recolhimento voluntário de alguns dos produtos da marca após encontrar uma bactéria nos itens fabricados pela empresa. O microorganismo encontrado é a Pseudomonas aeruginosa, que pode agravar casos infecciosos em pessoas com sistema imunológico comprometido.

A companhia nega que a bactéria tenha sido encontrada novamente na linha de produção da Ypê.