O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu os Estados Unidos, sob a liderança do então presidente Donald Trump, no rol de “inimigos estrangeiros” em decisão proferida contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A expressão consta em trecho do despacho onde Moraes afirma que a Corte jamais faltou com coragem para repelir agressões contra a soberania nacional, “sejam inimigos nacionais, sejam inimigos estrangeiros”. A declaração foi publicada pelo jornalista Samuel Pancher, do portal Metrópoles, na rede social X (antigo Twitter).

A fala de Moraes surpreende pela semelhança com a retórica de regimes autoritários historicamente conhecidos por antagonizar os Estados Unidos. Entre os países que já taxaram os EUA como inimigos estão:
- Irã – onde o aiatolá Ali Khamenei classificou os EUA como “inimigo número um”;
- Coreia do Norte, sob Kim Jong-un;
- Venezuela, com Hugo Chávez e Nicolás Maduro;
- Rússia, especialmente após a anexação da Crimeia;
- China, em disputas por Taiwan e tecnologia;
- Cuba, desde os tempos de Fidel Castro;
- Síria, com o presidente Bashar al-Assad.
Com isso, Moraes, ao defender ações do STF contra Jair Bolsonaro e seus aliados, adota o mesmo tipo de retórica usada por governos acusados de censura, perseguição política e repressão.
A inclusão dos EUA como “inimigos estrangeiros” abre um precedente inusitado: o Brasil, tradicional aliado ocidental e defensor de relações diplomáticas com os Estados Unidos, agora vê um dos ministros da mais alta Corte judicial ecoar discurso de ditaduras.