Mato Grosso do Sul pode estar diante de uma nova transformação no campo. A mesma fonte de energia que ilumina casas, empresas e cidades começa a ganhar espaço como uma importante aliada da produção agrícola: o sol.
Um estudo elaborado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) aponta que a integração entre energia solar fotovoltaica e irrigação pode ajudar o Estado a ampliar áreas produtivas, reduzir custos operacionais e diminuir os impactos provocados pela irregularidade das chuvas.
A proposta surge em um momento estratégico para o agronegócio sul-mato-grossense. O produtor rural enfrenta cada vez mais o desafio de produzir em um cenário marcado por mudanças climáticas, períodos prolongados de estiagem e necessidade de maior eficiência no uso dos recursos naturais.
Segundo o levantamento, Mato Grosso do Sul possui atualmente cerca de 320 mil hectares irrigados, mas apresenta potencial para incorporar até 4,7 milhões de hectares à agricultura irrigada. A expansão poderia beneficiar culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, fibras e pastagens.
A ideia é utilizar áreas que normalmente possuem menor aproveitamento agrícola — como espaços marginais das propriedades e áreas próximas aos chamados cantos dos pivôs centrais — para instalação de painéis solares. Dessa forma, a geração de energia ocorreria sem comprometer áreas produtivas da fazenda.
Tecnologia para enfrentar o clima
A irrigação representa uma mudança importante na relação entre produtor e clima. Em vez de depender exclusivamente do regime de chuvas, o agricultor passa a ter maior controle sobre o desenvolvimento das lavouras.
Na prática, a tecnologia permite reduzir riscos de perdas durante períodos de seca e pode aumentar a estabilidade da produção.
Um exemplo citado no estudo é o impacto que sistemas irrigados já proporcionam em algumas regiões do Estado. Municípios como Três Lagoas demonstram como o uso da tecnologia pode elevar a produtividade mesmo em áreas com limitações climáticas.
Economia de energia como desafio
Apesar do potencial, um dos principais obstáculos para ampliar a irrigação ainda é o custo energético.
Por isso, a energia solar aparece como uma alternativa estratégica: produzir a própria eletricidade dentro da propriedade pode reduzir despesas e tornar projetos de irrigação mais viáveis economicamente.
O estudo estima que o retorno do investimento em sistemas fotovoltaicos pode ocorrer entre aproximadamente 3,4 e 6,3 anos, dependendo do modelo utilizado e da forma como a energia gerada será aproveitada.