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Escândalo da Cassems: desmentidos pelo Governo, Ayache e diretoria somem e não dão explicações

Após a denúncia feita pelo portal O Contribuinte e repercutida na tribuna da Assembleia Legislativa pelo deputado estadual João Henrique Catan (PL), na sessão desta quinta-feira (27), a direção da Cassems adotou uma postura incomum: optou pelo silêncio absoluto. Nem o presidente da entidade, Ricardo Ayache, nem o diretor jurídico, Cléber Tejeda, emitiram qualquer nota, vídeo ou esclarecimento, mesmo após o Governo de Mato Grosso do Sul desmentir oficialmente a versão sustentada pela própria Cassems.

A ausência de respostas ocorre justamente no momento mais crítico da gestão de Ayache, que agora é alvo de um possível escândalo que pode ultrapassar R$ 100 milhões, envolvendo a inserção do Governo do Estado como “interveniente anuente” em um contrato de operação financeira de R$ 30 milhões com o Sicoob Credicom — algo que o próprio governo afirma categoricamente jamais ter autorizado.

Onde antes havia vídeos e acusações de ‘fake news’, agora há apenas silêncio

A postura contrasta com a reação da Cassems há poucos dias. Quando a primeira denúncia foi divulgada, o diretor jurídico Cléber Tejeda gravou vídeos afirmando que a instituição era “vítima de fake news” e garantindo que tudo estava dentro da legalidade, sustentando que o Governo do Estado teria, sim, anuído à operação.

Mas após os documentos oficiais do Governo negarem qualquer participação, assinatura ou autorização e pedirem inclusive que o deputado enviasse novos documentos para investigaçã, a diretoria da Cassems simplesmente não apareceu.

Nenhuma nota.

Nenhum vídeo.

Nenhuma coletiva.

O presidente Ricardo Ayache também não se pronunciou.

A Cassems está há mais de 24 horas em silêncio.

Governo desmente Cassems e abre caminho para investigação criminal

Os documentos enviados pelo Governo do Estado ao deputado João Henrique Catan afirmam, de forma explícita, que não existe qualquer registro de anuência à operação financeira atribuída à Cassems. A negativa foi encaminhada por duas secretarias distintas, o que reforça a posição oficial.

O que isso significa na prática?

Se o Estado não autorizou  e mesmo assim aparece como interveniente no contrato, há indícios de crimes como:

– falsidade ideológica,

– fraude em operação financeira,

– uso indevido do nome e da estrutura de ente público,

– possível crime contra o sistema financeiro.

A denúncia, portanto, deixa de ser meramente administrativa e passa a entrar no campo criminal.

Se confirmadas as irregularidades, Ayache pode ser afastado e até preso

Criminalistas ouvidos por O Contribuinte afirmam que a situação é gravíssima. Um deles, especialista em direito penal econômico, foi categórico:

“Se o governo não autorizou e mesmo assim o nome dele aparece no documento, estamos diante de possível falsidade ideológica e fraude contratual.”

Outro apontou que pode haver inclusive:

“gestão temerária ou até gestão fraudulenta”.

Já um terceiro deixou claro que prisões preventivas não estão descartadas caso haja risco de destruição de provas ou continuidade das condutas.

Cassems e Ayache optam por se calar e isso aumenta ainda mais o desgaste

O silêncio adotado pela Cassems nesta sexta-feira (28) é visto por parlamentares, advogados e servidores públicos como um sinal de que a diretoria não encontrou justificativa plausível para explicar:

– o uso do nome do Governo em um contrato que o Governo nega ter assinado;

– a divergência entre o discurso público de seus representantes e os documentos oficiais;

– a falta de transparência sobre operações financeiras milionárias.

Política e institucionalmente, a situação é considerada crítica. A avaliação de parlamentares é que a queda de Ayache é “quase inevitável” se o Ministério Público avançar na investigação.

Enquanto isso, do lado da Cassems: silêncio. Um silêncio que fala.

Nenhum esclarecimento.

Nenhum desmentido.

Nenhuma defesa.

O silêncio prolongado da direção da Cassems, especialmente após ter sido frontalmente contradita por documentos oficiais do Governo do Estado, amplia as dúvidas e pressiona ainda mais a instituição.

A cada hora sem resposta, o escândalo engrossa — e o futuro de Ricardo Ayache fica ainda mais ameaçado.