Investigação da Polícia Federal revelou um esquema de corrupção em licitações da Secretaria de Estado de Educação de MS, durante a gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Em apenas um dos casos, foi detectado o repasse de R$ 596.520,60 em propinas.
O esquema envolvia os empresários Marcelo Américo dos Reis (HEX Marketing) e Leonardo Primo de Araújo (L&L Comercial), além do ex-secretário adjunto de Educação, Édio Antônio Resende de Castro. Os valores vieram de um contrato de R$ 11,9 milhões da SED com a empresa Agira Tecnologia, para aquisição de 8,8 mil tablets. A propina correspondia exatamente a 5% do valor total do contrato.
O contrato foi firmado sem licitação, por meio de adesão a uma Ata de Registro de Preços da prefeitura de Angra dos Reis (RJ). A PF rastreou o caminho do dinheiro por meio de dados bancários e conversas por WhatsApp entre os envolvidos.
As mensagens revelam que os empresários montaram um esquema para simular competitividade e justificar a adesão à ata, mesmo com indícios de fraude. Há ainda indícios de que servidores da SED sabiam do esquema e participaram ativamente dele.
Interceptações mostram ainda pedidos diretos de pagamento entre os envolvidos, além de combinações para repasses e encontros presenciais. A investigação apontou que a contratação era direcionada para beneficiar a empresa Agira, com intermediação de propina.