O ex-governador Reinaldo Azambuja oficializou neste domingo (21) sua filiação ao Partido Liberal (PL), em evento que atraiu diversas lideranças políticas de Mato Grosso do Sul. Apesar da força institucional, a cerimônia não conseguiu, nesse primeiro momento, aproximar Azambuja da militância bolsonarista ou dos ativistas de direita que costumam marcar presença em manifestações de rua no Estado.
Lideranças de direita presentes
O ato contou com a presença do governador Eduardo Riedel (PP), da senadora Tereza Cristina (PP), de deputados federais, estaduais, vereadores e ainda dos 19 prefeitos que também se filiaram ao PL.
Dos parlamentares do PL, a Câmara Municipal de Campo Grande foi representada pelos vereadores Ana Portela (PL), André Salineiro (PL) e Rafael Tavares (PL). Da Assembleia Legislativa, estiveram presentes os deputados Coronel David (PL) e Neno Razuk (PL). Na bancada federal, marcaram presença os deputados Luiz Ovando (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).
Ausências sentidas
Se, por um lado, o evento foi prestigiado por nomes de peso da política institucional, por outro, a ausência de lideranças identificadas com o bolsonarismo chamou atenção. Não estiveram no ato o ex-deputado estadual e ex-candidato ao governo Capitão Contar (PRTB), o deputado estadual João Henrique Catan (PL) e o deputado federal Marcos Pollon (PL).
Também chamou atenção a ausência da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e do deputado estadual Lídio Lopes (Patriota), seu esposo, que não compareceram ao evento.
Carta branca de Valdemar
Durante o ato, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou a confiança em Azambuja e declarou que o ex-governador terá carta branca para comandar o partido em Mato Grosso do Sul. Em seu discurso, Valdemar afirmou que Azambuja poderá montar a chapa de candidatos a deputado federal, deputado estadual e até mesmo tomar decisões sobre o Senado.
Na prática, embora Valdemar tenha sinalizado que o PL poderia até lançar candidatura própria ao governo, a tendência é que a legenda mantenha o apoio ao governador Eduardo Riedel (PP), parceiro político de longa data de Azambuja.
PL reforçado
Com a presença de governistas e parlamentares de diferentes partidos, o evento representou um movimento importante de fortalecimento político de Azambuja e do PL em Mato Grosso do Sul.
Na prática, a filiação funcionou como um reagrupamento do núcleo político que já acompanhava Azambuja em seus anos de liderança tucana, antes da mudança de partido. Assim, o ex-governador inicia sua trajetória no PL cercado de lideranças tradicionais, mas sem, até o momento, a adesão da base popular bolsonarista no Estado.
Filiação de Azambuja ao PL atrai até parlamentares de esquerda críticos de Bolsonaro
Entre os presentes estiveram os deputados federais Dagoberto Nogueira (PSDB) e Geraldo Rezende (PSDB). Dagoberto, que votou contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), manteve ao longo dos últimos anos uma postura de crítica constante a Bolsonaro. Já Geraldo Rezende, médico e ex-secretário de Saúde, também nunca poupou ataques ao ex-presidente e esteve em lados opostos durante o governo federal.
A participação de nomes com esse perfil destoou do que se esperava de um evento do PL, partido que hoje é o principal abrigo da direita e do bolsonarismo no Brasil. O movimento, no entanto, reforça a estratégia de Azambuja de ampliar seu leque de apoios mirando 2026, atraindo não apenas aliados tradicionais de seu grupo político, mas também lideranças de diferentes espectros.


Amplitude política
O cenário reforça a posição de Azambuja como articulador político capaz de transitar em diferentes campos. Ao mesmo tempo em que se filia ao partido de Bolsonaro, ele recebe no mesmo palanque parlamentares que historicamente estiveram em oposição ao ex-presidente.
Esse contraste mostra que, embora o PL seja hoje identificado como o partido do bolsonarismo, a chegada de Azambuja tem potencial para modificar os contornos da legenda em Mato Grosso do Sul, abrindo espaço para alianças mais amplas e pragmáticas.