Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul, teve a prisão preventiva mantida e foi afastado compulsoriamente do cargo de escrivão da Polícia Civil por decisão da Corregedoria-Geral.
A Justiça manteve, nesta quinta-feira (9), a prisão preventiva do ex-prefeito de Fátima do Sul e ex-assessor parlamentar do deputado estadual Jamilson Name (PP), Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, durante audiência de custódia realizada no âmbito da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Além da manutenção da prisão, Júnior Vasconcelos também foi afastado compulsoriamente das funções de escrivão da Polícia Civil, conforme decisão publicada no Diário Oficial do Estado e assinada pelo corregedor-geral da Polícia Civil, delegado Clever José Fante Esteves.
A Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa acusada de fraudar contratos públicos, praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 27 milhões.
Atuação no gabinete de Jamilson
Antes de ser preso, Júnior Vasconcelos estava cedido pela Polícia Civil para atuar como assessor parlamentar no gabinete do deputado estadual Jamilson Name.
Logo após a operação, o parlamentar divulgou nota afirmando que o investigado exercia funções administrativas e esclarecendo que ele não ocupava a chefia de gabinete, como havia sido divulgado inicialmente por alguns veículos de comunicação.
Com a prisão preventiva, Júnior deixa de integrar a equipe do parlamentar.

Afastamento da Polícia Civil
Paralelamente ao processo criminal, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil determinou o afastamento compulsório de Júnior Vasconcelos das atividades como escrivão de polícia.
De acordo com o Portal da Transparência do Estado, ele possui remuneração fixa de R$ 9.589,75 no cargo de agente de polícia judiciária.
A medida tem natureza administrativa e foi adotada em razão da investigação em andamento.
Defesa prepara pedido de liberdade
Após a audiência de custódia, o advogado João Paulo Calves, que representa Júnior Vasconcelos, informou que irá protocolar pedido de revogação da prisão preventiva.
Segundo o defensor, existe uma linha de defesa já definida, mas o conteúdo não será divulgado porque o processo tramita sob segredo de Justiça.
Empresárias também permanecem presas
Também passaram por audiência de custódia nesta quinta-feira as empresárias Rossana Paroschi Jafar, proprietária da Gráfica Alvorada, e Jéssyca Duarte Burgatt, sócia da Capital Saúde e filha do ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt.
As duas tiveram as prisões preventivas mantidas e permanecem à disposição da Justiça.
No caso de Jéssyca, a Justiça concedeu liberdade mediante pagamento de fiança em um procedimento específico relacionado à apreensão de munições em seu apartamento. Entretanto, ela continua presa por força da decisão proferida na Operação Gutenberg.
Nova fase da investigação
Com todas as audiências de custódia concluídas, a Operação Gutenberg entra agora na fase de análise das provas reunidas durante o cumprimento dos 43 mandados de busca e apreensão.
Celulares, computadores, documentos, contratos administrativos e movimentações financeiras passarão por perícia e serão utilizados para individualizar a participação de cada investigado e definir os próximos passos da investigação.
Até eventual denúncia, julgamento e decisão definitiva, todos os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.