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Ex-motorista confirma superlotação e frota sucateada no transporte coletivo de Campo Grande

Durante depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Coletivo da Câmara Municipal de Campo Grande, o ex-motorista Wesley Moreli, conhecido como “Príncipe do Consórcio Guaicurus”, confirmou o que muitos usuários já denunciam há anos: os ônibus estão superlotados e em condições precárias.

Segundo Moreli, os veículos chegam a circular com “gente saindo pelo teto”. Ele explicou que não solicitava ônibus reserva à central de operações porque, segundo ele, “não tinha o que fazer, era o que a empresa tinha”. Afirmou ainda que a frota está sucateada e que os motoristas sabiam da situação crítica. “Eles colocam o que tem, e os ônibus estão em péssimo estado”, afirmou.

Botão de alerta e omissão do poder público
Moreli revelou que os motoristas têm à disposição um botão no painel que sinaliza à central quando o veículo está lotado. Mas, segundo ele, não havia garantia de que reforços seriam enviados. “Eles já sabem da situação, tem câmeras nos ônibus. A superlotação é visível”, pontuou.

O vereador Coringa (MDB), membro da CPI, relembrou que, em depoimentos anteriores, servidores da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e da Agereg (Agência de Regulação) negaram a existência de superlotação. Um dos citados foi Janine de Lima Bruno, ex-diretor da Agetran e ex-prestador de serviços do Consórcio Guaicurus, que afirmou não haver níveis altos de lotação. Já o atual diretor da Agetran, Paulo da Silva, admitiu que a agência não multa os ônibus do consórcio por excesso de passageiros.

Frota insuficiente para a demanda
Com 460 ônibus para atender 3,3 milhões de passageiros por mês, o Consórcio Guaicurus opera com uma média de um veículo para cada 7,6 mil usuários. A informação foi confirmada em outro depoimento à CPI, feito pelo fiscal aposentado Luís Carlos Alencar Filho.

Segundo ele, no início do contrato com o Consórcio, em 2012, eram 6,5 milhões de passageiros transportados por mês com 507 ônibus em circulação. Hoje, mesmo com a demanda reduzida quase pela metade, a proporção de veículos caiu ainda mais, o que contribui para a superlotação.

“Os dados da bilhetagem eletrônica são seguros, auditáveis e mostram claramente esse desequilíbrio entre número de usuários e quantidade de ônibus disponíveis”, disse Alencar Filho.

Lucros bilionários, serviço precário
Apesar das recorrentes denúncias e reclamações da população, o Consórcio Guaicurus continua operando com frota reduzida e veículos deteriorados. A CPI da Câmara segue apurando não apenas a qualidade do serviço prestado, mas também a relação entre o poder público municipal e o consórcio, incluindo a ausência de fiscalização e a possível conivência com a precarização do transporte coletivo na Capital.