Walfrido Warde, ex-sócio de Roberta Rangel, esposa de Dias Toffoli, é contra delação premiada e abandona defesa do dono do Banco Master
O caso Banco Master ganhou um novo e explosivo capítulo nesta quarta-feira (21). O advogado Walfrido Warde Júnior pediu para deixar a equipe de defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio ao agravamento da situação do banqueiro e à crescente possibilidade de uma delação premiada.
A informação foi confirmada pelo próprio advogado e repercutiu fortemente nos bastidores de Brasília. Warde é abertamente contrário à estratégia de colaboração premiada, o que motivou sua saída no momento em que a delação passou a ser tratada como uma alternativa real pela defesa de Vorcaro.
Delação na mesa e abalo político
A decisão é interpretada como um sinal claro de que a delação de Vorcaro está sobre a mesa. Em termos práticos, isso significa que o banqueiro pode optar por contar o que sabe sobre esquemas, relações políticas e financeiras em troca de benefícios penais.
Nos bastidores, a avaliação é de que uma eventual colaboração “mexe com as placas tectônicas da política brasileira”, atingindo figuras influentes e deixando muita gente em alerta máximo.
O detalhe que chama atenção: Toffoli, esposa e sociedade
Mas o que mais chama atenção — e incomoda — é o histórico de relações de Walfrido Warde no topo do poder. Em 2021, conforme mostram registros públicos, Walfrido Warde foi sócio de Roberta Maria Rangel, advogada e esposa do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Roberta Rangel integrou o escritório Warde Advogados, especializado em disputas bilionárias e com forte atuação em casos de grande repercussão nacional. O detalhe se torna ainda mais sensível porque Dias Toffoli é o relator do processo envolvendo Daniel Vorcaro no STF.
A coincidência temporal e institucional levanta questionamentos inevitáveis sobre conflitos de interesse, promiscuidade entre advocacia de alto nível e o Judiciário, e o funcionamento real dos freios e contrapesos no Brasil.
Trânsito livre nos Três Poderes
Walfrido Warde é conhecido em Brasília pelo bom trânsito entre os Três Poderes. Além da atuação em casos emblemáticos, também chama atenção seu histórico de generosas doações políticas.
Em 2022, Warde foi o maior doador individual da campanha de Guilherme Boulos (PSOL-SP) à Câmara dos Deputados, com um cheque de R$ 200 mil. Boulos hoje ocupa o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência no governo Lula.
O advogado também aparece como doador relevante da campanha do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) — hoje ministro do Desenvolvimento Agrário — com R$ 50 mil em doações.
Histórico de grandes crises
Não é a primeira vez que Walfrido Warde atua em casos que abalam a República. Ele já integrou a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, no processo de impeachment, e também dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F/JBS, no auge da Operação Lava Jato.
Agora, seu nome volta ao centro do noticiário justamente no momento em que o caso Master se aproxima de um possível ponto de ruptura.
Perguntas que ficam
A saída de Warde ocorre num contexto em que o STF decretou sigilo máximo sobre trechos do caso, transformando a investigação em uma verdadeira caixa-preta, como apontado por análises recentes.
No fim, permanecem as perguntas que interessam ao contribuinte:
- Quem será atingido se Vorcaro falar?
- Até onde vão as conexões entre sistema financeiro, política e Judiciário?
- E quem, mais uma vez, pagará a conta?
No Brasil, quando banqueiros caem, raramente caem sozinhos.